Vitrines Da Vida

Com razão

Era sucessivamente a mesma rotina.
De quinta-feira a domingo se jogava na balada.
Bebia em excesso.
Dançava até perder as forças.
Arranjava novas amizades.
E ficava cada dia com um “cara diferente”.
Numa dessas noites de desatino o conheceu.
Ele tinha um beijo inteiramente saboroso.
No meio de tudo quase transaram pela primeira vez.
Nas semanas seguintes se encontraram.
Todo começo de noite.
Ele nem era atraente, mas tinha outras coisas que compensavam essa questão.
Depois de muitos beijos, sobrevieram intensas transas.
E com o tempo percebeu que ele não merecia seu sentimento, pois era egoísta, mentiroso, manipulador e tantos outros adjetivos de alguém que não vale nada, porém a essa altura, já estava apaixonada, fora traída pelo seu coração.
Terminou tudo com ele, mas o medo da solidão a fez voltar atrás.
Terminou de novo, no entanto não suportou a falta dele.
E cada volta se machucava mais e mais.
Quantas decepções.
Mais de dois anos nesta escravidão, amor bandoleiro. Amor que mata a autoestima.
Agora de longe observa ele na mesa de um bar, sozinho, acabado pelas escolhas mal feitas.
Sabe que ele vive com uma e outra e sem ressalvas.
Num bar desses de quinta categoria, frequentado apenas por bêbados desiludidos, ele beija qualquer mulher, de aparência e alma desprezível.
Como pode alguém perder a linha dessa forma.
Ele perdeu a linha, perdeu o ensejo de crescer, por isso a cada dia regride ao fundo do poço.
Depois de mais alguns anos o amor por ele cessou totalmente, assim como uma chama intensa apagada por muitos litros de água.
Após tantas lágrimas perdidas, sente ódio de si por deixar se enganar pelo seu irracional coração.
O coração muitas vezes não sabe o que faz.
O coração engana, faz sofrer e nos coloca em situações lastimáveis.
Hoje, ela age com a razão.

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