Vitrines Da Vida

Golpe do destino

Jessica há semanas estava aniquilada, se sentia como o sol velado pelas nuvens cinzas. Os olhos rubros pelo choro lamentoso da ânsia de livrar-se da saudade. Rememorava tudo vivido com Diego.
Desde o começo a paixão dominou a ambos. Queriam ficar juntos dia e noite, se amando, se beijando, se amando, se amando… ah como era bom! Como sentiam-se bem.
Mantiveram o namoro por mais de cinco anos. Fundiram-se num só mundo, num só corpo, nada mais importava. Afastaram-se dos amigos e com as famílias o contato era bem restrito.
Frequentavam cinemas, teatros, alguns shows das divas da MPB. Tinham gosto apurado, curtiam Maria Rita, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto entre outros destaques da música.
Almoçavam no shopping ou comiam depressa no fast food um sanduíche com batatas fritas e refrigerante.
Onde um situava o outro também estava.
Nas noites de primaveras, verões, outonos e invernos os corpos se descobriam com carícias que inovavam-lhes a alma. Tantos abraços.
Diego jovem totalmente belo, desprezava os olhares famintos das garotas. Com vinte anos, pele alva, corpo bem distribuído em um metro e noventa. Mãos bonitas, unhas bem cuidadas, pés delicados. Cabelos anelados quase louros, olhos tipo folhas no outono. Usava um perfume esplêndido, talvez Chanel Allure Sport. Vestia-se as tendências da moda. Sucessivamente num estilo básico, seus calçados também levavam as famosas etiquetas do segmento. Quase sempre estava de óculos escuros e boné. No sorriso o metal do aparelho, vez e outra, brincava mudando as cores das borrachinhas.
Certa noite convidou Jessica para um jantar especial.
_ Onde está me levando, minha vida – perguntou desconfiada, andando amparada nele, com olhos vendados por aquela macia mão.
_ Surpresa – respondeu ele beijando-a no pescoço.
A emoção tomou conta dela.
_ Quer se casar comigo?
Não houve resposta, somente um logo e apaixonado beijo.
A resposta foi um suntuoso anel de noivado exibido no dia seguinte.
O amor aumentou ainda mais, mesmo quebrando o protocolo de se tocarem quase todos os dias, o desejo, o prazer e o sentimento que tinham eram imensuráveis.
A felicidade invadiu aquelas vidas, ou talvez fosse a maneira do acaso preparar ela pra seguir sozinha.
Desde que atendera ao telefone há dois meses.
Ainda recorda entrando no hospital, deparou-se com os sogros que choravam desamparados.
Jessica sentiu o maior temor que alguém pode sentir, um arrepio, um frio e enfim a notícia da morte de seu amor, levou-a ao inferno em vida.
Em uma briga de trânsito, Diego levou três tiros na cabeça. A imprensa destacou o crime em todos os jornais e telejornais.
O cortejo para o cemitério aconteceu sob gritos de protestos.
_ Ele tiraram minha vida – declarou a mãe dele.
Diego cursava na ocasião o quarto período de Administração. Tinha tantos planos. Uma vida pela frente…
Passou o tempo e Jessica ainda lastimava a perda de único amor. Não poderia mais amar ninguém, pois fazendo isso estaria esquecendo-o totalmente e traindo-o.
Pranteava dia e noite:
_Eu preciso sentir suas mãos sobre mim…
Gritava tampando a boca com o travesseiro:
_Eu preciso sentir você me beijando…
Andava de um lado para outro e dizia:
_Eu preciso sentir você me abraçando…
Sonhava nas noites vazias de silêncio e acordava gritando:
_ Eu preciso sentir o seu toque…
E vivia assim…
_ Eu sinto tanta falta do seu amor… E eu não posso continuar vivendo assim… Eu preciso de você aqui comigo.
Na semana seguinte descobriu que estava grávida.

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