As Belo-horizontinas

A traída da Savassi

Quando a praça Diogo de Vasconcelos foi inaugurada, nos primeiros anos da nova capital mineira, era difícil prever que a região se transformaria em um dos pontos mais badalados de Belo Horizonte. Porém, foi com o sobrenome dos Savassi, dado a uma padaria pertencente a uma família de imigrantes italianos que o lugar ficou famoso. Nos anos seguintes o apelido Savassi pegou no lugar, onde, já nesta época, a elite do poder passeava.
Os anos passaram e a Savassi ganhou alguns quarteirões fechados, o que criava um ponto de parada de gente de todas as idades, que procuravam uma paquera ou uma sombra para descansar. O trânsito se tornou cada vez mais tumultuado, mas isso não impedia a badalação noturna da região.
A Savassi continua construindo sua história com a mesma efervescência cultural e noturna de sempre. Não faltam restaurantes, bares, boates, lanchonetes e tudo mais que rimar com diversão.
Em um notável edifício da região mora Helena, mulher moderna, exuberante, dessas que chama mesmo a atenção, por esse motivo logo se casou. Danilo fora tudo que queria ter. Homem interessante, com fama de pegador. Largaram tudo e cederam aos encantos um do outro.
Um ano de namoro, três meses de noivado.
E o casamento já completara bodas de madeira, cinco anos.
O tempo passou e ele precisou respirar outros ares, mesmo com a preocupação de Helena em manter a chama do desejo acesa.
Durante a semana, Danilo os ao invés do almoço, preferia outro tipo de refeição.
Ela, logo, notou o cheiro do pecado.
O gosto da traição.
Sentiu-se aos pedaços, destruída e fracassada, após a confissão.
Foi dominada pelo desejo de vingança.
O marido passou a ter que se dedicar a ela em toda ocasião que quisesse.
“Já que quer sexo, terá muito sexo” – decidiu Helena.
Nas noites o deixava sem forças.
Resolveu lhe fazer surpresas e aparecia sem avisar no horário do almoço. Nas tardes inesperadas.
Ele tinha que dar conta do recado.
Bem estimulado.
“Oi, amor” – falou dengosamente ao chegar ao serviço dele no final do expediente.
Sem graça ele não respondeu, nem teve tempo. Tocou-o perversamente. Incitou-o sem pudor. E o ato aconteceu.
Os dias foram passando e ele se sentia exausto.
Não tinha mais forças para fazer qualquer refeição fora de casa.
Rezava em silêncio pedindo que a esposa o deixasse em paz pelo menos por um dia.
Helena não deixou. Tinha prazer lhe fitar olhos piedosos.
“Sem caráter” – pensava ao abraça-lo, mas o abraçava com fervor. Beijava-o com fugacidade. Percorria pelo seu corpo interessante com extrema vontade. Da cabeça aos pés.
Ele não dizia nada, atingido pela culpa cedia a tudo, retribuía cada toque, fora a maneira encontrada de não perder a mulher que ama. Percebera isso após seu erro.
Um ano se passou…
Em uma noite fria de inverno, após horas e horas de prazer, Danilo sofreu uma parada cardíaca e morreu na hora.
Helena sentiu-se realizada.
Traída e vingada.
Agora estava pronta para refazer a sua vida.

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