Casaram-se na primavera.
Tudo foi seguido, criteriosamente, à risca.
A festa.
O vestido.
O terno.
Os padrinhos.
A igreja.
Depois de todo ritual, a lua-de-mel. Escolheram Miami.
E o desejo consumiu o casal nas semanas seguintes.
Foi desejo demais. Por fim estavam exaustos, mesmo assim excitados e prontos para mais alguns momentos de prazer.
Eram tantos beijos demorados. Tantos abraços apertados. Tantos afagos. Tantos carinhos. Tantas descobertas. Tantas carícias.
Foram dias tórridos.
Nem saiam do quarto, queriam ficar desfrutando do calor, do cheiro, um do outro.
Esse contato fazia bem demais a ela, a ele.
Na luxuosa suíte de um renomado hotel, desfrutavam em todos os lugares carinhos. Na banheira de hidromassagem, na sauna, na varanda, na cama, na mesa. Todo cenário passou a ser coadjuvante daquele novo amor.
E os dias passaram feitos ventos de agosto.
Vinte dias de desejo profundo, desejo louco e irracional. Vinte dias sentindo a cada instante um frio no peito, no coração. Uma vontade de ficar ali para sempre como se nada mais existisse.
Depois de tanto gosto voltaram à vida normal. A rotina.
O desejo foi cessando.
Começa o maior desafio de um casamento, manter a chama do desejo acesa.
Alguns casais até conseguem dominar a situação por uma semana, por um mês, depois a temperatura vai caindo disparadamente, e se não houver um jeito de esquentá-la depressa, congelará, tornará sem sabor os beijos, sem calor os abraços, sem uma nova sensação a carícia. Um banquete imperfeito. Amor imperfeito.
Tudo vai se perdendo na bruma dos dias que se arrastam.
Tentam outros recursos para disfarçar. Criam desculpas para esconder a verdade.
Inventam dores de cabeça.
Cansaço, estresse.
Fingem dormir.
O resultado é a necessidade de um toque alheio, assim carregados de culpas, talvez consigam reacender a chama do desejo.
Haverá de ocorrer saborosos beijos.

