Vitrines Da Vida

Dor da solidão

Conheceram-se na primavera.
Daquele amor tão grande tudo que desejavam. Razão e espera do melhor da vida. Ela uma moça de polido trato, cursava Medicina.
Sonhava tantas coisas. Loucuras discretas.
Caminhava na praia ainda antes do sol surgir, as águas agitadas.
Contemplar aquele mar dava-a uma saudade sabe-se lá de quê. Sentou-se na areia limpa e pôs-se a construir seu castelo – esse era seu passatempo. Perdia horas o fazendo somente para assistir a maré vir e destruí-lo.
Assim é a vida – pensava.
Foi trazida de volta a realidade por uma voz grave.
Tudo aconteceu tão depressa.
_ Prazer, Mateus – disse com a mão estendida e um lindo sorriso, algo peculiar.
_ Luciana – respondeu tragando um soluço.
Nem recordava qual informação ele pedira. O que lembra é que tomaram um suco num quiosque próximo.
_ Estou no hotel… Almoce comigo…
E assim tudo começou.
O primeiro beijo surgiu sob o luar da madrugada na mesma praia.
As peles se tocaram muito em breve.
Luciana receava se após a entrega tudo acabaria assim como seus lindos castelos.
Foi pedida em casamento num jantar discreto em um luxuoso restaurante da região do Leblon.
Há anos Mateus vivia em Miami com a família. Duas vezes por ano vinha ao Brasil para às rotineiras reuniões da empresa do seu pai.
Alguns anos se passaram.
O casal vivia em eterna lua-de-mel. Não existiam noites vazias e nem distância.
Luciana sentia-se uma mulher realizada.
Toda manhã, ao acordar, sabia que viveria mais um dia feliz. Embora tenha se formado não exerceu a profissão.
Os dias são preenchidos ao lado da sogra, andam pelo shopping, tomam o chá da tarde num luxuoso bistrô.
E mais anos passaram… Passaram extremamente depressa.
Do seu amor sentia uma gostosa saudade…
Mas em muitas noites ele chegava tão cansado que sequer conseguia lhe dar atenção, adormecia imediatamente.
Agora, apreciando a chuva fina que caia pela vidraça sentiu um desconforto. Algo insistia em incomodá-la. Seus castelos de areia.
Era a dor da solidão.

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