Vitrines Da Vida

Um ser inútil

Vivia no interior. Um ser sem iniciativa, ou até mesmo preguiçoso, sempre quisera achar uma maneira de ganhar dinheiro fácil. Em seu pensamento carregava dia e noite uma concretização para este querer. Com a tecnologia chegando a todos os cantos, naquela pacata cidade foi aberta uma lan house. Logo a galera jovem virou clientes fieis, já que muitos não tinham condições de manter internet em casa. Foi nas salas de bate papo e no programa de mensagem instantânea que Richard encontrara o que tanto queria – ganhar dinheiro fácil.
Começou a manter relacionamento virtual com outros rapazes… as conversas eram providas de sedução. Audacioso na primeira oportunidade saiu do virtual para a realidade.
Viajou para a Capital. Ao descer do ônibus encantou com o tamanho da cidade. Fez questão de chegar bem antes do horário marcado com seu amante virtual. Procurou conhecer as saunas e pontos onde aconteciam oportunidades…
E assim entrou no mundo da venda de fantasias.
Os meses passaram…
Fixou uma relação com um homem que morava sozinho e em pouco tempo habitava na sua casa também.
Richard é um jovem de beleza natural. Com menos de vinte e cinco anos, pronunciava bem, embora sua formação fosse restrita ao ensino fundamental incompleto. Sua personalidade era obscura. Mentiroso e articulador. Vivia como se a vida fosse um palco de teatro ou uma telenovela que no final quase tudo fica bem. Uma pessoa bonita por fora e tão sujo por dentro.
Mentiu…
Enganou…
Usou…
E afundou nas suas próprias artimanhas.
Anunciava um produto e entregava outro. Era uma verdadeira propaganda enganosa.
Digno de dó…
A problemática desse ser, não se refere a sua escolha: ser um prostituto – já que defende como profissão – e sim na angústia que pessoas como Richard causam nas vidas que passam.
Atualmente, aproximadamente três anos após suas perversas pretensões, depois de passar por muitas humilhações, ferir tantas pessoas e se ferir numa escala que derrota a própria autoestima, vive num bairro periférico, tornou-se gigolô de um travesti.
Se é feliz? Nem ele mesmo sabe responder, pois continua mentindo pra si mesmo, tentando vender “boas fantasias”,  criar  e viver perdido em suas próprias ilusões – sexuais e em todos segmentos de sua inútil vida.

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