Vitrines Da Vida

Divisão de sentimentos – 2ª parte – por Mateus Vilas-Bôas

Quem disse que para amar é preciso estar junto?
Mateus pensava assim.
Após alguns anos de casamento, o trabalho consumiu um pouco de sua vida.
Viagens de negócios, todos os meses, o ausentava de casa, contudo, o amor que sentia por sua esposa, Sandra, nunca se ausentou. Ligava todos os dias contando o que fizera: os negócios que fechara, as visitas aos clientes e expunha o seu amor, falava dos seus desejos. Computava os dias para voltar. Cada minuto era uma eternidade sem ela.
Em uma manhã quente de verão, trajando um terno impecável, como sempre, com perfume inconfundível, fora visitar novos investidores em um complexo empresarial. Odiava visitar prédios altos pelo motivo simples de não gostar de elevador. Sentia-se abafado, sufocado, tenso e ao mesmo tempo inseguro.
Ao entrar no saguão percorreu o piso de granito até um dos elevadores. Apertou o botão para acioná-lo e segurou sua maleta com força, isso amenizava sua tensão.
A porta se abriu, encarou seu reflexo no espelho e entrou. A porta estava se fechando, mas alguém a bloqueou com os pés. Ela surge com um sorriso desconcertado, pede desculpas e entra. Ambos iam para o mesmo andar. Seus cabelos negros, lisos e cheirosos como as flores da manhã.
Mateus foi despertado por um desejo incontrolável, há semanas não sentia um corpo percorrendo o seu. Olhou para sua aliança e sentiu peso na consciência. Imaginara onde Sandra estaria e o que estava fazendo?
Um estranho desejo crescia a cada segundo, sentia seu corpo pegar fogo. O perfume irradiava o elevador, mas tensão e pânico daquele lugar o consumia. Gotas de suor escorriam na face de traços marcantes.
Por um momento as luzes se apagam e com uma velocidade abrupta o elevador parou. Os dois se encaram…
Mateus ficou com a respiração ofegante.
Ele pede desculpas e explica sua situação.
Ela abre um sorriso, como quem quer confortá-lo. Aproxima-se e coloca a mão sobre seu peito.
_Fique tranquilo, estou aqui com você na mesma situação, se é que me entende.
Mateus abriu um breve sorriso, e tentava decifrar o que ela quis dizer…
A mesma situação seria o medo ou o desejo?
Desejo que já não explodia por dentro e fisicamente se demonstrava. O membro marcava sua calça meio apertada.
Mateus tentou se esquivar, mas ela havia notado. Ainda com a mão em seu peito, desceu acariciando sua barriga até tocá-lo. Sentiu em sua mão tudo que precisava.
Mateus queria fugir, porém não resistiu ao calor do corpo que se aproximava. Pela primeira vez, pedia para ficar mais tempo em um elevador.

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