Vitrines Da Vida

Vida dividida

O casamento se aproximava.
Olhando o calendário percebeu que o tempo não colaborou para que sua decisão fosse tomada.
Depois do pedido concluiu que fora precipitado.
Com vinte e cinco toda a família dizia que chegara a hora de se casar.
Marcos até é apaixonado pela noiva, mas seu desejo o puxa para outro lado.
Tudo começou certo sábado que saiu da casa da noiva meio com raiva. Parou em um bar, tomou alguns chopes. Um jovem ao lado lhe pediu um cigarro e em pouco tempo estavam na mesma mesa.
Conversaram sobre tantas coisas.
A noite apenas começara.
Foram para uma boate, se jogaram no local sem reserva, sem muita lucidez, Marcos quando se deu conta estava nos braços do estranho.
O primeiro beijo ocorreu seguido de muitos outros.
Um louco desejo o consumia, nunca sentira tanta vontade assim.
Queimava da cabeça aos pés.
Na antemanhã entraram num motel.
E tudo se incendiou.
Marcos fazia coisas que jamais pensou que fosse capaz e isso lhe fez tão bem.
Sentia-a completo.
Explodia feito bomba atômica.
Gemidos e murmúrios de prazer.
Amanheceram acordados, envolvidos em tantas novidades.
Após o fogo cessar ficaram abraçados.
As mãos não quietaram.
As bocas se encontravam mesmo sem querer.
A despedida deixou uma sensação de vazio.
Trocaram os números de telefones.
E no meio da semana, ao invés da casa da noiva, Marcos se aconchegou no mesmo quarto de motel.
Jamais imaginou que outro homem supriria o incomodo que carregara durante tanto tempo.
Agora, se via numa encruzilhada, com temor de qualquer decisão.
Medo dos amigos saberem algo.
Medo da sua conservadora família.
Medo de ferir sua bela noiva, jovem que mais parecia uma boneca de porcelana de tão bonita e sensível.
Entretanto, ficar longe do amante lhe causava desespero.
Tudo se tornara sério demais.
Vida dividida.
Entre uma mulher e um homem.
Ambos, o completava.
A decisão tinha que ser tomada.
O casamento ou o realizador amante?

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