Adaptações

A ratoeira

Vivemos em comunidade, não adianta deixar o orgulho falar mais alto e querer ser só nesta vida. A boa receita talvez seja a de se conseguir captar e classificar para quem, de fato, vale a pena usar o adjetivo “amigo”… é simples… tão simples quanto o respirar. Escutei a parábola da ratoeira e refletir muito sobre aquelas sábias e não poéticas palavras… eu sou convicto que as palavras servem para encantar e para alertar, tudo depende de seu ponto de vista. Leia e reflita você também.

Abraços e bom final de semana!

O rato vivia em uma fazenda numa cidadezinha pacata e bem povoada. Certo dia olhando pelo buraco na parede, o Rato vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia ter ali.
Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira.

Desesperado correu pelo quintal da fazenda avisando a todos:
– Tem uma ratoeira na casa! Tem uma ratoeira na casa!
A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse indiferente:
– Desculpe-me, senhor Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, na realidade a ratoeira não me incomoda.
O rato mais desesperado ainda foi até o porco e disse a ele:
– Tem uma ratoeira na casa! Uma ratoeira.
– Desculpe-me, senhor Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar.
Fique tranquilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato andou, andou, e tristemente dirigiu-se à vaca.
– O que, senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado. No escuro, não viu que a ratoeira pegou a cauda de uma cobra venenosa. Ela foi picada pela cobra.
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou e ficou acamada. Estava com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal – a galinha!
Como a recuperação da mulher demorava, os amigos e vizinhos foram visitá-la.
Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e durante dias muitas outras pessoas foram visitá-la também. O fazendeiro teve de matar a vaca para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez, ao você saber que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se , quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

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