Vitrines Da Vida

Sua lágrima de adeus

E o novembro começou chuvoso, nubloso, aquele tempo cinza que deixa tudo mais nostálgico, ela se lembrou do seu sorriso de chegada, assim sem mais nem menos.

A sua lágrima de adeus.

O sonho mais primoroso que sonhara.

O tempo distanciou as lembranças, delineou novos rumos para cada um, mas não foi capaz de aniquilar a flama naquele coração – o coração dela.

Ah, como é bom lembrar dele.

Lembrar que ele foi tudo que sonhou na sua vida.

Lembrar do seu abraço forte, do seu cheiro masculino, das suas mãos suaves que ousavam por lugares proibidos.

Daquela boca que a beijava sem reserva. Daquela pele macia e alva. Do encontro dos corpos famintos, nas noites que se amavam intensamente, era amada, desejada, realizada.

 Ah, quanta saudade!

Fora a melhor coisa que teve.

Por acaso se encontraram no estacionamento de um shopping, coisa do destino, o destino é tão traiçoeiro, prepara as mais loucas situações e nos deixa numa saia-justa, ambos foram matar as horas, para esperar a chuva passar e horário de pico também, e assim não ficarem no engarrafamento do trânsito intenso daquela capital.

__ Quanto tempo! Como anda sumida – disse ele surpreendido e feliz.

__ Ah, meu querido, você também anda sumido. Tenho notícias suas através da sua rede social.

__ Eu também visito as suas redes, sempre. Que tal tomarmos um café?

__ Não resisto a este convite – deu um sorriso espontâneo.

Sentaram numa sofisticada cafeteria no local.

__ Um café e uma fatia de bolo – pediu ela – ah, uma água gasosa também.

__ Continua com as mesmas manias – observou ele.

Encontrar aquele homem a deixou sem rumo, mesmo tentando disfarçar, seu coração estava disparado, a chama acendeu-se, na verdade nunca se apagou.

A vontade era agarrá-lo e se declarar feito uma pessoa louca de paixão, no entanto além da paixão, se provia de um amor genuíno que ultrapassou o tempo, que por arrumação do destino, não foi possível viver.

Ele também a amava. Amava como nunca amou ninguém, um amor distante do que sente pela esposa, a qual é casado há mais de uma década.

Ela seguiu seu caminho, não poderia, simplesmente, ficar a esperar o dia que ele voltasse, de repente…

Tomaram o café. Conversaram sobre suas vidas. Falaram dos seus planos e seus anseios.

Os olhos se encontravam e ambos se perdiam num silêncio desmedido. Apenas os olhos diziam – eu te amo.

As mãos, sem querer, se tocavam, desastradamente, em cima da mesa. Os rostos enrubesciam. Faltava coragem para um convite ousado. Para que os corpos pudessem matar a saudade e a vontade vencida.

Inexplicavelmente, algum tempo depois estavam na sala dela, se despiam depressa, a roupa molhada de chuva grudava nos corpos e o anseio aumentava.

Enfim, as peles se tocaram. Amaram-se freneticamente, é como se tivessem com muita fome – e estavam. O beijo saboroso, o turismo em cada curva do corpo – dele e dela.

Horas mais tarde voltaram às suas rotinas.

Agora, vai ser tão triste olhar aquela sala onde o cheiro daquele amor se inebriou.

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