O sentimento mais legítimo que existe é O AMOR.
O rei de todos os outros sentimentos. O gerador de tantas sensações: felicidade, satisfação e até desejo. Quem não anseia sentir o amor? Quem não espera o amor da sua vida? Quem vai dizer que não almejou viver o primeiro amor? Dizem: O PRIMEIRO AMOR JAMAIS SE ESQUECE. Será? Quem não quer AMAR E SER AMADO? – quem não?
São tantos amores na sua caminhada: família, amigos, pets e até algo material. Ah, você não pode esquecer que existe um amor extremamente importante – O AMOR PRÓPRIO – quem se ama fará boas escolhas, o melhor para si e saberá retribuir esse nobre sentimento – afinal ninguém pode dar ao outro aquilo que não tem.
Espera-se do amor exclusivamente a FELICIDADE, no entanto o amor também nos faz conhecer a dor e a saudade.
O destino vai traçando os encontros nas esquinas da sua vida.
E, assim aconteceu com Serena, com vinte e sete anos, ainda espera viver um amor que a complete. Empresária respeitada no ramo que atua, sua beleza e elegância se destacam, a cor dos seus olhos intriga, às vezes verdes, outras azuis e em certos dias cor de mel, todos combinam com sua pele clara e seus cabelos bem tratados.
Conhecera Gabriel, por acaso, numa festa na casa de uma amiga em comum. Naquela noite, após alguns minutos de conversa, trocaram o primeiro beijo. Dançaram e aproveitaram o evento juntos. Foram muitos beijos, abraços e tímidos carinhos, nada além.
No fim trocaram o número de telefone com a promessa de um reencontro.
E o tempo que não para, passou feito vendaval.
Serena estava na expectativa daquela ligação, gostou tanto daquele rapaz, principalmente, devido ao respeito que teve por ela, em nenhum momento, provocou aquele desejo irracional que acaba na cama, como uma transa apenas.
Ainda sentia o gosto daqueles beijos, fechava os olhos e revivia o sabor da boca de Gabriel. O beijo na boca é um afago específico, demonstra sentimento, antigamente era o símbolo do amor, afinal não se beija, apenas por tesão. Atualmente, impulsivamente, algumas pessoas transam no primeiro encontro e a relação termina ali, num quarto frio de motel, naquele ambiente tão impessoal e sem pudor. Após o ato amargam a solidão, sexo casual é bom, tão-somente, unicamente, até o orgasmo.
Gabriel trabalha em uma empresa multinacional e fizera uma viagem inesperada. Ele é um jovem tranquilo e focado nos seus objetivos, naquele momento se lembrou de Serena, afinal ficara interessado em reencontrá-la. Ele carrega uma teoria herdada do pai – a mulher que se entrega no primeiro encontro não serve para se casar – eu prefiro não opinar e você?
Chegou em casa, desfrutou de um demorado banho, ainda enrolado na toalha, exibia seu corpo molhado, uma imagem atraente e provocante; pegou o celular, ia ligar para Serena, porém pensou um pouco, resolveu ligar depois.
O tempo continuou passando, afinal ele não pode parar.
A saudade invadiu a vida de Serena, não tirava aquele ser da cabeça, sentia seu cheiro, o toque daquelas mãos quentes. Sem querer se pegava pensando nele.
Um sofrimento sem fim. Dias sem sentido. Dias tristes.
Pegava o celular discava, mas não apertava o play. Quanta tristeza e lamento.
O ser humano gosta de complicar as coisas, gosta de se sabotar, não haveria sofrimento se ela, meramente, fizesse a ligação, tão simples como respirar.
E o tempo continuou passando. Os dados rolando. O destino providenciando as tramas das nossas vidas.
Gabriel entretido com suas coisas pessoais e trabalho, não deixara espaço para relacionamento, entretanto o tempo e o destino resolveram agir, naquele domingo frio e chuvoso se lembrou dela, então ligou.
E foram vários encontros. Falaram de suas vidas e planos para o futuro. Sem sexo, até ousaram nas carícias, nada além.
O amor foi brotando, naturalmente, lentamente e foi criando raízes… após um ano e meio ficaram noivos em um jantar sofisticado para as famílias e amigos mais íntimos. Gabriel, emocionado, declarou que encontrara o amor da sua vida. A mulher com quem iria construir sua família e viver juntos para sempre.
O tempo continuou sua missão – passar… o tempo tem o lado bom, ele cura as dores e as feridas, nos faz superar as perdas e se acostumar com as repentinas surpresas da vida – sejam boas ou ruins.
Infelizmente, agora na penumbra do seu quarto, Serena experimenta uma dor em que precisará muito do tempo, só assim essa dor aguda cessará.
Torce para que o tempo passe depressa feito um avião.
Ainda recorda, nas noites infindáveis de saudade e vazio, o acidente que matou o amor da sua vida a caminho da igreja.

