Vitrines Da Vida

Não tem desculpa

Geralda é uma pessoa que nunca teve afeto, seus pais sempre a ignorou. Na adolescência como era de se esperar ela engravidou. O pai da criança pôs o pé na estrada e nunca mais deu notícias. Sob protesto do seu genitor criou sua filha. Uma menina de beleza rude. Quinze anos se passaram…
Entre primaveras e verões…
Outonos e invernos…
Encontros e despedidas…
Alegrias e tristezas…
E entre tantos erros Geralda teve alguma sorte na vida. Trabalhava de monitora em uma escola privada, onde deixava parte do salário como pagamento da mensalidade da vaga da filha, apesar de todas inconsequências, ela conseguiu concluir o segundo grau, atual ensino médio.
A filha não era nada fácil. Tratava-se de uma adolescente rebelde e revoltada, talvez seja pela falta do pai, nem na sua certidão consta o nome dele. Ela carregava essa revolta no seu interior imaturo.
Rebelde, grossa e sem educação não levava desaforo para casa.
Era fogo contra fogo…
Brigava por tudo…
Sua falta de educação era extrema.
Suas colegas sofriam com tamanha ignorância. Quanta ignorância? Santa ignorância!
Certo dia, na hora do intervalo, ela se atracou com uma colega.
A briga foi feia…
Brigavam iguais a dois homens, trocaram chutes e socos.
Sua genitora ao invés de separá-las incentivou ainda mais o atrito.
_ Isso bate mesmo, quebra a cara dela – falava gritando.
Ao perceber que a rebelde estava apanhando encheu-se mais de fúria.
_ Não fica por baixo! Não te ensinei isso. Vai reage… enche ela de pontapés… arranca sangue dessa atrevida – gritava descontroladamente.
E o circo foi armado.
É indignante saber que nos dias de hoje existem pessoas assim, ainda mais uma mãe. A mãe precisa ensinar o que é serenidade, calma, paz. A mãe molda seus filhos, assim como um vaso é moldado pelas mãos do artista plástico.
Os filhos criados sem amor acabam trilhando caminhos tristes e muitas vezes acabam com a vida interrompida.
E foi o que ocorreu com a filha de Geralda.

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