Cidade pequena no interior de Minas Gerais, onde o povo todo se conhece e cuida da vida alheia, mas Jemima, com seus vinte e poucos anos, era um furacão de carisma e inteligência. Seus olhos, que pareciam mudar de cor conforme o humor, eram mestres em desvendar os segredos mais bem guardados. Ela não era de se prender a rótulos ou expectativas; sua vida era uma página em branco que ela preenchia com as palavras mais vibrantes e, por vezes, as mais obscuras.
Os rapazes da cidade eram como borboletas atraídas pela sua luz. Jemima sabia disso e, com um sorriso enigmático, os recebia em seu universo. Não havia maldade em suas ações, apenas uma curiosidade insaciável pela complexidade das relações humanas e um desejo, talvez inconsciente, de testar os limites do seu próprio poder.
Ela pintava e bordava com eles, como diziam.
Um dia, era um jantar à luz de velas com um aspirante a poeta, que as palavras, ela desconstruía com um olhar perspicaz. No outro, uma aventura noturna com um empresário ambicioso, que se via completamente desarmado diante de sua sagacidade. Jemima não prometia o que não podia dar, no entanto também não negava a si uma nova experiência.
Havia quem a julgasse, é claro. Sussurros e olhares atravessados a seguiam, todavia Jemima não se importava. Ela vivia para si, para suas descobertas, para a emoção de cada novo encontro. Não era uma vilã, nem uma heroína, apenas uma jovem que, em sua busca por autoconhecimento e liberdade, ousava usar e abusar dos corações que se atreviam a cruzar seu caminho, deixando um rastro de histórias e, para alguns, uma lição inesquecível.
E assim ia vivendo, feito as estações desreguladas do ano.
Primaveras de chuvas…
Outonos de flores…
Invernos quentes.
E verãos frios.
Jemima se sentia feliz, nada mais.

