Vitrines Da Vida

Entenda meus sinais

Foram numerosos gestos, mas de nada adiantou, ele parecia não enxergar o que se passava ao redor.
Mensagens no celular…
Declarações de amor, paixão e desejo.
No olhar exalava sua necessidade de tê-lo.
Entretanto, ele não percebia seus sinais.
Verônica fora uma mulher tão bem resolvida durante todo seu percurso, nem viveu os atritos da adolescência insegura.
Morena clara, cabelos negros até o ombro, olhos castanhos naturais, pele macia. Com vinte poucos anos, bem sucedida, sofisticada. Um luxo humano.
Trajava as melhores tendências da estação.
Frequentava a elite da Paulicéia.
E vivia feliz…
Vivia… até deparar-se com Pedro.
Bem dizem que o amor muitas vezes atormenta.
Por ser cautelosa em suas ações, não podia se expor, tentou então enviar-lhe sinais de sua paixão.
Tudo em vão.
Vivia inebriada de paixão inutilmente.
Muitas vezes sentia-se exausta e infeliz… porém contivera sempre a vontade de gritar tudo que sentia.
“Um dia ele percebe…”
Se é que não percebera e por um motivo pessoal preferiu fingir de bobo.
Fingir é a solução para os que preferem ser neutros em alguma situação.
Vence pelo cansaço.
Vive em cima do muro.
Na poeira dos sentimentos alheios.
Verônica, agora, parada, calada, pensativa, ainda sente no peito um dor gostosa de experimentar. Respira profundamente, com a intenção de ser possuída pela coragem de falar sobre seus sentimentos sem receio.
“Afinal de que tenho receio” – se questiona na madrugada silenciosa e fria… ao rolar na cama sem sono, pensando nele.
Pode sentir seu cheiro…
Escutar sua voz…
Visualizar suas mãos, seu corpo…
Ah, quanta emoção… contida, banida, sofrida!
Paixão e amor se misturam na penumbra de seu viver atordoado.
Seu pedido é singular:
_ Entenda, perceba meus sinais…

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