Vitrines Da Vida

Dor ignorada

Quando o destino traz um novo amor, o melhor é aceitar.
Seguir em frente.
Parar com amores de brincadeira.
No entanto ela não queria assim.
Preferira a escravidão da saudade e solidão à um novo abraço.
Conhecera-o no final da puberdade, foi amor à primeira vista, desses que enlouquece a cada encontro, a cada novo amanhecer.
E naqueles braços foi tão feliz.
Foi protegida.
Realizou seus desejos.
Explodiu inúmeras vezes num orgasmo sensacional.
Bebeu os melhores beijos já bebidos.
Viajou num corpo que lhe fazia tanto bem.
Remou contra a maré.
Nadou contra a correnteza.
Foi amor demais.
O fim inesperado ocorreu no começo de um verão qualquer; articulação do destino para fazê-la suportar o frio da solidão que viveria nos tempos seguintes.
Deparou-se com tantas paixões.
Tantos homens a amaram até bem mais do que ele.
Quiseram fazê-la feliz.
Dá-la uma estrela.
Porém tudo isso foi negado.
Quis assim. Não queria amar de novo, por medo de sofrer, por medo de deixá-lo sumir pra sempre na fumaça do tempo.
“Você sabe que você é tudo pra mim” – disse, em vão, tantas vezes.
“Construí meu mundo em volta de você e quero que saiba, preciso de você como nunca precisei de ninguém antes.” – declarações inúteis.
Ele fora surdo, fora cego, fora indiferente a tantos gritos.
“Eu não quero viver sem te amar.”
Sua dor não foi enxergada.
Dor ignorada.
Finge que tudo está bem.
Sua única conclusão é “não posso mais fingir que sou feliz.”

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