Vitrines Da Vida

Depois do último Ato

A dança perdeu o ritmo.
Mesmo com os carinhos inéditos, atrevidos e ousados.
Os beijos são apenas, simplesmente gestos obrigatórios.
Sem sabor…
A transa durou mais do que o tempo de costume.
Agora, ela teve a certeza de tudo que há tempos percebera.
Depois do último ato.
Após a última noite.
Noite triste.
Noite sem luar.
Noite fria em que a realidade rasgou seu coração e entrou sem sequer pedir licença.
Como a verdade é dolorida.
Enquanto tudo fora só uma mera imaginação a dor não doía tanto.
Mesmo com a lástima da dúvida que lhe afagava a ferida.
O amor estava acabando.
O amor está findando como um manjar, depressa demais.
Poucos anos foram suficientes para destruir os sentimentos.
Fazer cair no esquecimento às gostosas sensações do começo.
Ah, como é bom o início, época em que a paixão ainda está acesa.
Paixão que faz fazer loucuras.
Paixão que queima e que os enlouquece de desejo.
A paixão passa…
A paixão se transforma em amor, porém transforma também loucuras em pudor; transforma o desejo em obrigação.
Assim os casais vão vivendo frustrados.
Presos.
Massacrados.
Condenados a fidelidade inexistente nas suas vontades.
De que vale “um amor “assim?
Ela, hoje, agora, vive todo esse drama.
Por mais que aceite a situação sente um fincada no peito.
A dor do desacostumar à companhia dele.
É somente isso que incomoda.
Ele…
Ela…

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