Há perdas que não passam, apenas mudam de peso.
A sua foi assim — não feriu só a pele, atravessou a alma inteira, abriu um vazio onde antes havia calor. É estranho como o silêncio depois de quem amamos pode fazer mais barulho do que qualquer grito.
Ainda ecoa.
Ainda machuca.
Você se acostumou a procurar aquela presença que agora existe apenas na memória.
O riso que antes preenchia o dia virou lembrança que corta.
As mãos que antes seguravam as suas agora são ausência, e a ausência pesa como pedra no peito.
Dizem que o tempo cura, mas você sabe que não é tão simples. O tempo não apaga um grande amor; ele só transforma a dor em algo que você aprende a carregar.
E, mesmo assim, há dias em que tudo desaba — quando o perfume parece ainda estar no ar, quando a música certa toca, quando a saudade acorda antes de você.
Você sente falta do que foi e do que poderia ter sido.
Sente falta do olhar, da voz que te acalmava, da certeza que você só tinha nos braços daquela pessoa. Sente falta do cheiro, do suor, do calor da pele e até do jeito ranzinza. Tantas coisas somente de nós dois.
O mundo inteiro parece mais frio.
E, às vezes, você se pergunta como segue respirando quando o coração insiste em lembrar o que perdeu.
Mas, mesmo sem perceber, você segue.
Segue com as cicatrizes abertas, com a dor pulsando, com a saudade te moldando. Porque amar profundamente também é isso: sobreviver ao vazio deixado por um amor que marcou para sempre.
E, no fundo, a dor que fica é a prova silenciosa de que foi real — de que você amou do jeito que poucos têm coragem de amar.
AMOU SEM RESERVAS ALGUÉM QUE FOI O MAIOR ACONTECIMENTO EM SUA VIDA.
Amou.
Perdeu.
Lágrimas lavam a alma de hora em hora, mesmo assim, a dor volta e tudo recomeça.

