Vitrines Da Vida

Casa do pecado

Perdeu todo domínio sobre seus sentimentos.
Não aferia mais as consequências.
Parece que se tornou cega. Traída, humilhada e usada.
Porém Edu tinha o dom de iludir.
Aprontava o tempo todo, mas com seu jeito completamente doce contornava o jogo e tudo acaba como sempre queria.
Quantos corações partidos?
Baladas e mais baladas.
Cada noite uma garota diferente.
Mesmo casado não se preocupava com a exibição.
A esposa sofria na escuridão de seu quarto sem afeto. Mais de dez anos e nada evoluiu na sua relação.
Edu chegava sempre alcoolizado, com cheiro de outras mulheres. E mesmo assim queria deitar-se com ela, talvez, deste modo, sentisse a consciência menos pesada.
Já não era tão galã, porém iludia-se que sim.
Não fora capaz de perceber que as mulheres que se interessavam por ele, não passavam de prostitutas que se vendem discretamente por uma conta no bar, assim poderiam estar ali todos os dias se divertindo. Bebendo, dançando, sorrindo… transando…
Edu se casara com Roberta numa cerimônia restrita às famílias. No começo tudo tinha sentido.
Depois de algum tempo…
Palavras que causavam intensa dor, aquelas que deixam a mulher sem saber o que fazer e que rumo tomar.
O maior problema era o amor que ela sentia.
Como acordar sem aquele corpo para se aconchegar. Sem seu amor para aliviar toda dor sentida.
Precisava aprender a viver sem ele.
Precisa desprezá-lo. Matá-lo no seu coração.
Não poderia mais suportar tantas facadas… nem bem uma ferida cicatrizava, Edu esfaqueava-a outra vez… na alma… no âmago.
Naquela noite estava disposta a se libertar do inferno que vivia.
Traições…
Cheiro de sexo alheio…
Palavras dolorosas…
O ato sem cortesia… fruto do remorso.
Sua casa tornara-se a casa do pecado! Casa da tristeza… da desilusão e lágrimas. Nada mais… nada além…
Três horas da madrugada, como sempre, Edu abriu a porta… o mesmo ritual…
Roberta se entregou sem receio, há tempos não se oferecia assim.
_ Eu te amo – sussurrava e murmurava lamentosamente.
A seguir Edu dormia feito um anjo bom – na fisionomia satisfação…
Nem sentiu o cheiro do álcool que molhava-lhe o corpo e toda a casa. No quarto ao lado as crianças – um menino e uma menina.
Roberta também se banhou com a substância, talvez assim antes do fim estivesse desinfetada.
Com lágrimas nos olhos riscou o fósforo.

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