Vitrines Da Vida

Boca de lobo

Começaram a namorar inesperadamente, se conheceram na entrada do cinema. Assistiram ao filme juntos.
E horas depois já estavam na cama desfrutando o corpo um do outro.
Foi bom demais.
Gostaram tanto que repetiram o ritual durante a semana toda.
Algum tempo depois um problema inesperado também surgiu, coisas da relação que vai revelando dia-a-dia defeitos e qualidades.
Os defeitos acabam por destacar primeiro.
Marcaram um novo encontro e já foram direto para o motel.
Despiram depressa.
Na hora do beijo, ela quase caiu para trás. A boca dele fedia demais. Um mau hálito insuportável, desse que acaba com qualquer desejo.
Sua boca cheirava tão mal quanto uma boca de lobo.
Discretamente, inventou uma desculpa.
__ Vamos beber algo – e correu ao telefone, no criado ao lado da confortável cama, para fazer pedido.
Ele nada percebeu.
__ Vou preparar a banheira de hidro – disse naturalmente.
“Que alívio” – pensou ela.
Mas todo desejo fora ofuscado pelo mau cheiro da boca do parceiro, não conseguiria de jeito algum ser tocada por ele. Pensava rápido em sua solução.
__ Vou te esperar na banheira, minha musa – gritou ele.
Quis fugir, porém como explicar depois, também o motel não liberaria a sua saída sozinha.
O pedido chegou.
Pegou a bandeja e caminhou ao espaço onde estava a banheira de hidromassagem, ele estava relaxado, de olhos fechados, somente o barulho dos jatos de água eram escutados.
__ Aqui está nossa bebida.
__ Tira a roupa e entra aqui logo.
E se levantou da banheira deixando exposto seu belo corpo, o objeto pronto de ser usado.
Logo a chama reacendeu.
Ele tomou a bebida lavando a boca sem saber.
Ela se jogou na banheira e usou aquele corpo até se sentir realizada.
Quanto aos beijos arrumou uma solução.
__ Quero ser apenas seu objeto, nada de carinhos.
Inocente atendeu ao pedido.
No dia seguinte terminou com ele sem justificativas, deixando-o numa amarga solidão.

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