A dor do amor não grita,
ela sussurra por dentro,
rasga em silêncio,
lateja no peito como um eco
de tudo o que não volta.
É faca sem lâmina,
ferida sem sangue,
choro que cai por dentro
enquanto o rosto finge calma.
É saudade que não pede licença,
lembrança que invade a noite,
cheiro que persiste na alma,
e um vazio que pesa mais
do que qualquer solidão.
A dor do amor é assim:
chega devagar,
se instala inteira,
e faz do coração
um campo de batalhas.
Mas ainda assim,
mesmo ferido,
ele insiste —
porque o amor, mesmo quando dói,
ainda é a coisa mais viva
que existe.

