Hoje, a geração que tem quarenta anos ou mais, sonhava e esperava muito um mundo moderno – a era da tecnologia. A evolução foi rápida, principalmente, nos últimos anos, facilitando as nossas vidas em todas as áreas.
O avanço da internet e a chegada do Smartphone, trouxeram comodidade e praticidade, porém trouxeram também um vício inesperado – a frieza humana.
Veja bem, ninguém guarda na memória um número de telefone, pois basta apertar na agenda do celular o nome da pessoa E PRONTO. Com a popularização do aplicativo de mensagem, as pessoas perderam aos poucos, sem perceber, o hábito de telefonar e colocar a conversa em dia, agora, simplesmente, enviam seus textos e áudios E PRONTO. O calor humano se esfriou e nem nas datas comemorativas fazem a calorosa ligação, é tudo por mensagem, algo tão frio e impessoal. Acho terrível no dia do aniversário receber de um dito amigo somente uma mensagem, pior ainda quando são mensagens instantâneas.
Lá se foram as cartas e os cartões postais – sinônimos de afeto e cada dia, A VIDA, se torna mais mecânica – o resultado: SOLIDÃO. A solidão apossa e consome seu viver e sua caminhada, faz perder o rumo e causa tantos danos emocionais. Adoece a alma.
É necessário rever muitas coisas, olhar ao redor. Pensar nas nossas convivências. Reclassificar essas convivências, afinal a palavra AMIGO se tornou banal, você precisa saber, tem que saber, em qual grupo, quem faz parte do seu dia a dia, se encaixa:
CONHECIDO.
COLEGA.
AMIGO.
Nos seus momentos mais difíceis, aqueles momentos em que caminha pelo vale da sombra da morte, essa seleção se revelará.
Não se iluda ao ser chamado de amigo, de querido, de amore, disso ou daquilo – classifique, rotule corretamente essas pessoas, pratique a lei do silêncio.
Observe… observe… aprenda a observar. O resultado vai te surpreender.
Nessa observação silenciosa, você começará a perceber que alguns sorrisos eram apenas cortinas, que certos abraços eram ocasionalmente cálidos, mas nunca duradouros.
E vai perceber também que, apesar da tecnologia aproximar as vozes na tela, ela afastou os olhos no encontro. Não é a distância física que nos separa: é a ausência de presença real. A vida moderna nos convenceu de que estamos sempre acompanhados, mas a verdade é que muitos caminham sozinhos em corredores lotados.
É por isso que precisamos resgatar gestos simples, como escrever uma carta, olhar nos olhos, ouvir sem a pressa de responder. Pequenos atos que devolvem ao coração a temperatura que as mensagens instantâneas roubaram. E quando o silêncio pesar, não tema — ele não é ausência, é espaço. Espaço para que as vozes verdadeiras ecoem, para que os afetos firmes se revelem. Quem fica no silêncio junto com você não está apenas presente: está conectado pela essência.
O mundo continuará veloz, as telas continuarão piscando, e os convites virtuais se multiplicarão. Mas o que vai importar, no fim, é quem senta ao seu lado sem pedir senha de Wi-Fi, quem não precisa de notificações para lembrar que você existe.
Porque, no fundo, cada um no seu quadrado só faz sentido quando existe alguém disposto a atravessar as linhas e ocupar, com alma e verdade, o espaço que chamamos de amizade.
CRIADO POR SILVIO CERCEAU
ESCRITO COM ALESSANDRO LO-BIANCO

