A carência é ameaçadora.
A carência mistura as emoções e se torna um caminho certo para a receada traição.
A traição dói demais – corta feito navalha afiada.
A traição na maioria das vezes se resume a sexo e tesão gerados pela carência, não passa disso, após o orgasmo – acabou – não resta nada.
Eles se casaram há cinco anos, mas até o altar foram três anos vividos. Namorados liberais e modernos viajavam juntos e exploravam tudo que a intimidade permitia, portanto que a lua-de-mel foi mais um passeio por algumas cidades da Europa do que de fato seu objetivo.
Nos dois primeiros anos foram descobrindo “o morar juntos”, algumas coisas os assustavam, mas foram caminhando. Fizeram muitos planos materiais, entre tantos planos, o filho que nasceu no ano seguinte.
Todavia na vida nem tudo é felicidade e logo aquele clima romântico foi cessando e dando lugar a problemas do dia a dia. Coisas da vida. Nada anormal, porém se não souber conduzir vira um problema.
Aquelas noites de companhia, de carinhos, de assistir TV juntos foram substituídas por discussões e cobranças – dele e dela.
Não mediam palavras e ofensas desnecessárias eram proferidas os esfolando profundamente. Mágoas. Nada Mais. Nada além.
Palavras ditas na hora da raiva furam feito punhal.
Como dormir feliz ao lado de quem te feriu?
Como dar carinho, beijos, abraços como se nada tivesse ocorrido?
No quarto, na cama onde os corpos se amavam ou se aconchegavam no calor do outro, restou a indiferença. Não tinha clima para fazer amor, a mágoa era maior e vencia colocando um muro de aço entre os dois. Dormiam lado a lado, no entanto estavam sozinhos, tristes e com medo. A traição foi o resultado, ele a traiu sem receio. O ato foi descoberto provido de drama e lágrimas.
O destino do casal – o ringue judicial. O amor se tornou uma guerra, uma luta, uma disputa material. O filho se tornou – moeda de troca.
Não restou nem diálogo entre eles, os advogados conduziam tudo – levavam e traziam os recados e as propostas.
Cadê aquele amor que os fez tão feliz? Em qual esquina se perdeu?
Depois de acordos e desacordos, ela estava desquitada. Sentia alívio. Sentia vergonha, a sensação de que fracassou na missão de ser e fazer aquele homem feliz.
Nos primeiros dias se sentiu perdida e sem saber por onde recomeçar sua caminhada, afinal o período do divórcio foi um temporal de granizo na vida dela.
Embora livre daquela relação que lhe fazia tanto mal vivia tantos sentimentos.
Temor.
Luto.
Solidão.
Incerteza.
E amargura.
Era inevitável.
Resta a ela esperar o tempo passar e trazer as soluções e a direção para refazer sua vida e quem sabe até ser feliz, verdadeiramente.

