Morre lentamente quem não troca de opiniões, não troca o discurso, exclusivamente para evitar e mascarar as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas atitudes. Quem, não arrisca vestir uma cor nova e ousar numa aventura diferente. Quem vive na rotina.
Morre lentamente quem faz da televisão a sua companhia diária e preferida. Muitas pessoas não têm alternativas, mas aqueles que a possuem e optam em viver diante de uma tela de imagens que embora, traga informação e entretenimento, não deveria ocupar tanto espaço em sua vida.
Morre lentamente quem evita as novidades com medo do resultado, há situações que jamais se repetem.
Morre lentamente quem prefere o preto no branco e quem prefere a solidão, evitando viver um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, os sorrisos e os soluços. Coração disparado. Novos sentimentos e sensações. O amor e a paixão.
Morre lentamente quem não tem coragem de jogar tudo para o alto, quando está infeliz no trabalho, na vida conjugal ou em qualquer situação que a tristeza e angústia surgem e incomodam.
Morre lentamente quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho. Quem não se permite, uma vez na vida, deixar de tentar ser perfeito. Quem não ousa.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo. Quem não ri das coisas mais bobas da vida. Quem não toma um porre, nem que seja uma só vez na vida.
Morre lentamente quem perdeu os sonhos, a pureza e o querer da infância, quem deixou a alma se tornar amarga e dolorida.
Morre lentamente quem se tornou escravo da tecnologia, se viciou nas tantas telas existentes, deixando de olhar ao redor. Cegou.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Quem sabota a própria oportunidade de ser feliz.
Morre lentamente quem se encontra em depressão e não grita por socorro, fenecendo e anulando aos poucos sua existência.
Morre lentamente quem não chora quando se sente sufocado, pois as lágrimas lavam as mazelas que causam o terrível sufoco. Ninguém precisa saber, é um momento seu.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, quem desiste dos seus planos, quem se cala, quem não busca conhecimento. Quem não caminha. Quem não se cuida. Quem não pede e não dá um abraço.
Morre lentamente quem não agradece pelas coisas boas da vida, pelo ar que respira, por seu alimento, por sua saúde, por tudo que tem.
Morre lentamente quem ao passar por uma situação difícil, uma tempestade, perde a fé e a esperança. Quem não olha ao redor. Quem finge não saber que tem pessoas em situações piores: nas ruas, sem teto, a maioria corroídos, pela indiferença dos transeuntes, pela fome, o frio e o calor. Quem sequer lembra, que nos hospitais muitos clamam pela vida.
Morre lentamente quem não declara seu amor, quem não fala um EU TE AMO a quem deveria ouvir todos os dias.
Morre lentamente, tantas pessoas, a cada segundo, morrem. A morte mais ingrata e traiçoeira, a morte dos sonhos, a morte emocional, entra no âmago e bagunça seu viver. Desmonta o quebra-cabeça de milhões de peças que estava quase finalizado.
Morre lentamente quem perde a coragem e se entrega, quem não enfrenta os obstáculos que vão surgindo na caminhada.
Morre lentamente quem não compreender que a VIDA é assim: lutar, vencer, perder e superar todo dia um desafio, independente de classe social, religião, nacionalidade, idade ou qualquer outro adjetivo que o classifique. Cada SER terá seus desafios e suas dores. Resta saber caminhar nesse labirinto – a sua VIDA.

