Vitrines Da Vida

Zona de perigo

Em 1998 a minisérie Hilda Furação mostrou a época glamorosa da Rua Guaicurus aqui em Belo Horizonte.
Hoje passei por lá, estava em companhia de um amigo que estacionou o carro ali próximo.
Diferentemente do mostrado, hoje a zona da cidade ainda existe, porém frequentada por pessoas desprovidas de beleza… assalariados que mesmo casados ou com compromissos sérios, entram nos hotéis de quinta categoria para quebrar a rotina. É tanto entra e sai que os homens chegam a tropeçar uns nos outros. Homens de todas as idades…
Lamentável saber que mesmo com a proliferação das DST’s, as pessoas continuam sem se preocupar com o pudor.
Comprovei isso certa vez dentro do ônibus. Dois jovens conversavam.
_ “Caraca”, eu curto ir na zona nem que seja uma vez no mês.
_ Também vou lá tirar uma – ressaltou um deles.
E narraram por mais de dez minutos suas experiências.
_ Quando saio de lá, chego em casa tomo banho com sabonete Protex para tirar a coceira.
Sinceramente fiquei tentado a me virar para ver a cara dos rapazes, mas me dominei.
Enfim, a Rua Guaicurus continua na ativa, cheia de “zonas” que se estendem também nas ruas aos redores.
Lá dentro é um ambiente simples e nebuloso. Quartos escuros, com cheiro de pecado. Mulheres expostas nas portas e em cima das camas, semi-nuas e nuas. Como escudos usam um sorriso para esconder suas tristes realidades.
Devem “atender” mais de 30 homens por turno.
Cada um vende o que quer, assim como também cada um compra o que quer, mas é deplorável saber que mulheres e homens se colocam em extremas situações de riscos.
No final, dizem estarem satisfeitos:
Elas com o dinheiro para o sustento.
Eles com o gozo diferente.
Enquanto houver clientes as vendedoras de prazer e fantasias continuarão lá na zona da Guaicurus e redondezas.

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