Vitrines Da Vida

Um gosto de quero mais

O amor machuca muito quem se entrega demais, mas como não se ofertar ao ser amado?
Marilda ininterruptamente sofreu por amor e nem por isso desistiu de se aventurar em cada nova oportunidade.
Mulher de quarenta anos, bem sucedida nos negócios, de beleza comum que com um toque de maquiagem se destacava.
Sua vida sentimental começara cedo, ainda na bisbilhotice da adolescência frenética.
O primeiro amor ainda vinha na sua memória feito o latejar de um dente danificado.
Recordar ele tornara-se bom demais.
O primeiro beijo acontecera na festa junina no pátio da igreja.
Região do interior, tudo muito diferente!
Os valores humanos eram mais cuidados.
Entretanto, Marilda burlou as leis dos bons costumes e se entregou na primeira noite.
Descobriu que transar dava-a uma sensação extremamente boa e queria repetir sempre.
O jovem adolescente tinha todo fogo para aquietar a moça…
Foram quatro anos de paixão.
Uma traição por parte dela fora a agente causadora da separação, senão estariam casados, pois ele a amava verdadeiramente.
E o tempo, ah o tempo que não para mesmo, passou feito as estações dos anos.
Agora, conheceu um jovem simples, carregador de material de construção num depósito.
Corpo firme de tanto pegar peso. Sorriso tímido, porém notou o olhar dela que o despiu de cima a baixo.
Adorava despir os homens de corpos bem desenhados. Isso aguçava sua imaginação.
Agradeceu a entrega feita e pegou seu telefone com a desculpa:
_ Se eu precisar de algo, ligo. Você pode vim me entregar?
E a precisão aconteceu naquela mesma tarde.
Alguma coisa que ela mesma poderia buscar.
Ao fitá-lo novamente não se conteve e comentou:
_ Belo corpo, jovem!
Aproximou-se e sentiu o cheiro do suor.
Cheiro de macho.
E ali em cima da mesa ocorreu uma relação rápida, grotesca – essas que deixam sempre um gosto de quero mais…
Três meses se passaram.
Tantos encontros.
Este homem a faz sentir jovem.
Este homem a faz sentir realizada.
Apaixonou-se por ele.
A diferença de idade não seria obstáculo – vinte anos.
Logo estavam praticamente morando juntos.
Lúcio tinha uma pele morena – quase da cor de chocolate. O corpo bem distribuído e definido. A primeira impressão é de que não é bonito, mas olhando bem, nota-se que por de trás daquele mero peão existe alguém de alma pura e coração vazio.
E para ocupar aquele coração é tão simples como tomar um copo d’água – basta achar a chave, descobri o caminho e abrir a porta.

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