Vitrines Da Vida

Sexta-feira 13

Sexta-feira treze, muitas pessoas cheias de supertições, se puderem, nem saem de casa.
Recebera o convite para uma festa repentina. Devido à data seria uma festa a fantasia. Realizaria seu sonho – ser Cinderela. Comprou a bela fantasia e por horas se arrumou com detalhes. Saiu sem se despedir de ninguém. Esse era seu jeito de ser. Nunca fora de mostrar afeto.
Na festa uma agitação incondicional. Os jovens capricharam nas fantasias.
Ela bebeu vários drinques.
Conversou com algumas pessoas.
Um gato a cortejava sem parar – um gato de botas.
Sua máscara não desvendava sua fisionomia. Sua voz era rouca, bem alinhada!
Depois de tanto insistir Cinderela cedeu.
E conversaram, até a madrugada, sentados na sala de descanso.
_ Posso te levar em casa? – perguntou docemente.
Impossível dizer não a uma pessoa com uma voz tão sedutora.
Entretanto, não foram para casa… dela ou dele…
Em certo momento ele tirou a máscara e sua perfeita face adornou a noite.
Olhos castanhos claros, cabelos pretos anelados, boca atraente. Alto, esbelto e extremamente encantador.
Revelou ter vinte e dois anos, cursava o primeiro semestre de Geografia. Morava com a família no Morumbi na grande Paulicéia.
O primeiro beijo foi um tanto incrível. Experimentaram uma sensação esplêndida e as bocas pediam mais e mais, não conseguiam saciar a vontade de experimentar o gosto daquele beijo.
Ficaram a semana toda juntos. De hotel em hotel…
Tudo foi bem elaborado. Nada de ultrapassar os limites.
Manuela também possuía uma beleza grandiosa.
Com quarenta anos viveu tantas paixões; foram paixões arrebatadoras que fizeram-na desacreditar em amor. Para ela tudo terminava na cama, depois do orgasmo, podia até ocorrer outros encontros, mas a cada um deles o desejo ia cessando até que cada um tomasse um trem com destinos diferentes.
Mas com esse jovem tudo era dessemelhante. Mesmo sem querer chegava à conclusão de que de repente, amava outra vez, como amou há muitos anos, porém agora, precisava fazer esse sentimento valer a pena.
Gabriel era terno.
Cobria-a de carinhos, tinha derradeira compreensão.
O primeiro toque foi a certeza que fora tocada pelo amor.
Aquele homem tirava-lhe as forças, praticava o ato com tanta culminância. Aquele corpo primoroso colidindo em perfeita harmonia com o seu, deixou-a entontecida, tamanho desejo.
Viviam um para outro, com os olhos vendados…
Ela largou tudo para viver ao lado do seu amor. Emprego, família, amigos, sua vida!
_ Eu te amo – dizia Manuela, apaixonadamente, – te amo muito, minha vida, meu amor!
_ Eu também te amo, minha deusa – respondia em seguida, rapidamente, e cavaleava sem enfastiar.
As semanas passavam…
Sol e chuva…
Calor e frio…
Tantos eventos surpreendentes noticiados todos os dias pela imprensa, inclusive a prisão de Gabriel que há meses era procurado pela polícia indiciado e incriminado por cometer múltiplos crimes.

Compartilhar