Vitrines Da Vida

Primeiro amor

O amor por ele jamais passou. Atravessou os anos. Esse amor tornou-se sua inspiração.
Foi o primeiro amor.
Aquele que nunca se esquece. Quem já não viveu um amor assim?
E aconteceu subitamente, assim como as coisas boas. Veio suave como a brisa. Depois ocasionou uma efervescência no seu viver. Realçou tudo.
No momento, mesmo sem ser correspondida, ama sem arrependimentos. Esse amor é parte da sua vida.
Revela-me – a dor do amor é boa se sentir. Não deixarei esse sentimento de lado.
Sentada diante do computador, de repente percebeu que seus pensamentos estavam perdidos num passado tão distante, tão lindo.
O começo de tudo…
As primeiras palavras, do homem, que mudou sua vida.
O homem que ama!
Tantas vezes, as palavras foram supridas pelo silêncio e, os olhos descreviam o resto.
Tantas vezes, os corpos, as peles, os suores se confundiam na mais perfeita harmonia.
O sabor do beijo.
Ah, quantos encontros!
Movimentou o mouse, clicou na pasta de imagens, e as fotos dele enfeitaram a tela.
Seu amor é tão forte que mesmo distante sente o perfume, a presença, o suor, o cheiro inebriante daquela pele, macia, alva – “meu ninho” – completa com exaltação.
Fecha os olhos e entra no seu mundo tão individual. Seu coração apaixonado.
“Ah, meu amor! Como eu te amo! Amo demais!” – murmurosa, já com lágrimas nos olhos. Era a saudade batendo na porta.
Acessa o programa de mensagens instantâneas e lá está ele.
Conversam um longo tempo. Horas que passavam depressa, muito depressa. Nem percebeu que já anoitecia. Uma forte chuva caía. Chuva de primavera.
Despediram-se.
Ela aproximou-se da janela e ficou apreciando a chuva, morava no vigésimo andar.
Pôs-se a perguntar se era feliz. Se não estava na hora de virar a página.
Encontrar alguém que possa compreender sua desilusão.
A tristeza em não poder viver com seu primeiro amor.
Porém ser tocada, por um novo alguém, simplesmente, causava-a medo. Um frio!
E o tempo continuou passando… e como o tempo tem passado depressa. Algo que ocorreu há anos parece que foi ontem, observe.
Seu primeiro amor abraçou outra direção.
Nesse dia a tempestade foi na vida dela. Depois disso, passou viver por viver. Cultivava a presença dele, em segredo.
A dor gostosa foi dia a dia substituída por um desconforto.
Quanta saudade!
Quanta vontade. Quantos sonhos perdidos na longa estrada da vida.
Recordou uma canção que dizia “eu preciso de você, porque tudo que pensei que pudesse desfrutar da vida sem você não sei…”
Instante que sua dúvida sobre a felicidade se mostrou.
Não foi capaz de guardar seu primeiro amor no coração, sem querer, fez dele a razão de seu viver. A rota dele foi o atestado do fim.
A porta fechada. A chave perdida sabe-se lá onde. A tranca da janela cerrada.
Vivia de recordações.
Beijos e abraços, carinhos e carícias, roupas espalhadas pelo chão…
Tudo na mais perfeita sintonia.
O primeiro amor tronou-se a ser luz que ilumina sua alma.
Assim, ia tentando ser feliz. Vivendo, fingindo ser feliz.

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