Vitrines Da Vida

O vendedor de balas

Donatelo é um garoto de apenas oito anos. Raquítico, com um olhar triste e sofrido. Mora no subúrbio da cidade com a mãe e mais cinco irmãos, sendo ele o mais velho. Sua casa fica localizada numa área de risco, a poucos metros corre um rio, que recebe o esgoto da cidade, a céu aberto. O cheiro é horrendo. Em épocas de chuva, a defesa civil aparece e os leva para qualquer abrigo improvisado nas escolas públicas. Sua mãe é uma mulher feia, sem cuidado com a aparência, com a casa e com os filhos. Vive nos botecos da região, dançando funk, bebendo cachaça e se deitando com qualquer homem que lhe dá essa oportunidade. Chega em casa ao amanhecer, bêbeda com cheiro forte de bebida e sexo imundo.
Nessa ocasião, Donatelo já está saindo com uma mochila surrada nas costas. A boca seca de fome, vai caminhando rumo a escola, sedento pela hora do recreio, ocasião que se serve a sua refeição do dia – a merenda escolar.
Às tardes caminha até o grande centro da cidade, compra mais uma caixa de dropes, com o dinheiro, sobra do dia anterior e sai pelas ruas, bares e ônibus oferecendo o seu simples produto.
Com o lucro passa na padaria e compra um saco  cheio de “pães dormidos” para os irmãos, às vezes o dinheiro dá para comprar um litro de leite, quando isso não ocorre, come o pão puro e seco mesmo.
Seu sonho é ter uma casa bonita onde possa cuidar de seus irmãos, com a mãe, ele não se preocupa, na verdade se refere a ela com indiferença. Ressalta que gosta de estudar e que vai ser advogado. Quando alguém compra suas balas, ele agradece imensamente, as palavras soam sinceras e aliviadas por conseguir vendê-las e assim alimentar seus irmãos, mesmo que seja com o pão velho do dia anterior.

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