Vitrines Da Vida

O casamento

Fui testemunha de um casamento há alguns dias.
Surpreendi-me de como, ainda, as pessoas estão se casando. Entusiasmadas e felizes.
O cartório estava cheio demais, iria acontecer aproximadamente mais de cem casamentos. Jovens ainda com caras de adolescentes, assinavam o livro e selava o compromisso com aliança no dedo.
As fotos historiariam o restante…
Alguns parentes mais próximos – pais e mães.
A foto com o juiz de paz e amigos.
Tudo imprimido num sorriso feliz demasiadamente.
Sempre observei os casamentos nos cartórios, coincidentemente morei perto de um.
E toda sexta-feira, havia filas para o matrimônio.
As mulheres extrapolavam nos trajes.
Vestido de festa, salto alto, maquilagem bem-feita. Um erro total já que o evento é pela manhã em um local público e comum. Entretanto, o que mais indignava-me era as flores de plásticos nas mãos. Um atestado de mau gosto.
Os homens também não ficam para trás no erro. Vestiam-se com um terno barato, de corte desproporcional ao porte do individuo.
Sem ser irônico afirmo que ali é o inferno – devido ao tremendo excesso de mau gosto.
Mas voltando ao casamento…
Tudo correu tranquilo.
Enquanto esperava a vez. Indiscretamente escutei conversas, felicitações e pude considerar que muitas pessoas agem por impulso.
São arrebatadas por uma paixão.
São surpreendidas por uma gravidez não planejada.
São puramente induzidos pelas igrejas que frequentam.
Assim firmam um contrato.
O juiz é bem direto nas indagações:
_ … é de sua livre espontânea vontade…?
_ … aceita … como seu/sua esposo/esposa… até que a morte os separem?
Ledo engano acreditar que um contrato, uma assinatura pode firmar o sentimento. Se o amor não existir realmente nos corações dos casais, em poucos meses estarão de volta ali para o divorcio.
Se não existir bens materiais envolvidos, tudo ocorre rápido, caso contrário o litígio será a solução para desfazer o contrato do ilusório amor.

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