Vitrines Da Vida

No buraco

Delegar aos outros a responsabilidade de resolver seus problemas é na verdade uma atitude peculiar dos covardes. Pois não têm a capacidade de se moverem do lugar, andam em círculos e o lamento é o único ato real dessas criaturas.
Concordo que vivemos em comunidade e que ninguém vive sozinho, sempre dependemos de um outro seja lá para o que for. Certos atos e atitudes não têm preço, uma palavra amiga, um alerta, um empurrão para que o necessitado siga em frente é de fato essencial. Mas infelizmente muitas pessoas colocam sua caminhada nas mãos alheias. Utilizam as lágrimas para comoção.
Alda era assim…
Na sua vida colecionava um sucessão de quedas. Sempre fora enganada – ou melhor sempre quis ser enganada. Sempre que algo dera errado, a culpa era de alguém e nunca dela, pudera sempre deixou a responsabilidade de sua vida para o outros e nem sempre o que é melhor para um é o melhor para outro, daí, Alda sempre estava em uma situação desastrosa. No fundo do poço, chorava, chorava e chorava, como se as lágrimas fossem solucionar seus problemas e tirá-la do buraco – em que fora jogada pelos outros – assim pensa ela.
Depois de escutar sua dramática história, fiquei a pensar como pode existir alguém assim? Eu nunca vi alguém colecionar tantos desatinos. O pior que tudo é culpa dos outros, nunca ela fez ou soube de nada – defende-se. Mas indo além no seu viver, percebe-se que ela é a única culpada por todas as mazelas que vive, é uma pessoa fraca, triste, sozinha e incapaz de encarar a vida como ela é. A vida é uma batalha, a cada dia temos uma missão diferente, independente de classe social, em certas situações dinheiro não vale nada.
Alda me fez entender o porquê ao andar pela cidade, deparo-me com tantos mendigos deitados sob as marquises ou encolhidos em um canto qualquer como lixos humanos. Quem foram essas pessoas? Alda é uma mulher com curso superior, teve excelentes empregos, alimentava-se e vestia-se com o melhor. Ao contemplá-la, logo se imaginava tratar de uma pessoa de fino trato… isso quando estava na dita fase boa da vida. Hoje, Alda se apresenta com uma imagem tão inferior a do que era. Em total desleixo. Vive no limite.  Mesmo assim, espera que alguém vá e a tire dessa cruel situação.
Quem poderá fazer isso?
Um familiar…
Um amigo…
Um desconhecido…
Ou ela mesma?
Espero, antes que também se torne um lixo humano sob qualquer marquise ou nas praças e cantos dessa grande cidade, Alda chegue a conclusão que somente ela pode mudar a sua vida.
Recordo que escutei no passado, a história de um cavalo que caiu num buraco e simplesmente o seu dono resolveu deixá-lo morrer ali. E começaram a jogar terra na intenção de enterrá-lo vivo, no final o cavalo se viu live do buraco, pois a cada pá de terra jogada ele subia um pouco mais, alcançando assim a liberdade e voltando a sua vida normal.
Então, resta a Alda e a quem se encontra numa situação difícil e sem solução, que se encontra no fundo do poço, do abismo ou do buraco – a única solução é – seja igual este cavalo.

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