Vitrines Da Vida

Ninguém tem culpa

Foi tão melancólica aquela despedida.
Todo começo de noite se encontravam. Iam sempre a algum barzinho tranquilo, preferiam os com música ao vivo – voz e violão. Bebiam alguns drinques e ficavam ali abraçados, muitas vezes em silêncio, observando às pessoas que entravam e saiam.
Rodrigo sempre fora afetuoso e polido. Na realidade estava bem próximo ao homem ideal. Tinha muitos amigos e era munido de adoração dos familiares.
Ao conhecer Velise se encantou. Ele que jamais pensou que poderia amar alguém. Sua onda era ficar. Mas Velise tinha algo que lhe despertava uma sensação tão boa.
Será amor? – indagava-se.
Os dias foram passando.
Rodrigo verdadeiramente se apaixonou por ela. Passou lhe dedicar seu melhor, sequer olhava para o lado. Ignorava as cantadas que levava. As “levadas” para cama, imploravam uma reprise.
Entretanto ele queria Velise e cobria-a de carinhos, cuidados.
O namoro se resumia a beijos e abraços. A arriscada maior foi uma troca de sexo oral.
Certo dia com o tesão a flor da pele, Rodrigo apanhou o caderno de relax do jornal, percorreu os olhos nas ofertas.
Pensou alguns minutos, pegou o celular, configurou o número para confidencial e ligou.
Duas horas depois, entrou no motel combinado.
Passou pela recepção.
_ Sua cliente já o espera – informou, com gentileza, a atendente.
Rodrigo apertou o botão do elevador, esperou segundos até a porta se abrir.
Em poucos minutos bateu na porta da suíte.
_ Entre – soou a voz meio familiar.
Rodrigo adentrou o quarto, ficou em choque ao deparar-se com Velise, permaneceu parado, tipo uma estátua, próximo à porta, até cair na real de que a mulher que ama era uma garota de programa.
Quem explicaria algo?
Quem cobraria a algo?
As caras de ambos caíram no chão…
Os minutos tornaram-se séculos.
Enfim, ele entrou e começou a se despir.
Sob o olhar surpreso de Velise, disse:
_ Que seja esse ato a nossa despedida.
E se envolveram com fervor.
A noite foi viva.
Na manhã seguinte ele levantou-se pé, ante-pé, vestiu-se sem fazer barulho, tirou algumas cédulas da carteira, deixou em cima da mesa.
Partiu levando consigo o cheiro da mentira e a impotência de cobrar um erro, já que estava errado também.

Compartilhar