Vitrines Da Vida

Nem que fosse paixão

Desiludida pelo último amor tinha o olhar opaco.
Pela desilusão.
Pela solidão.
Por não acreditar que poderia ser despertada outra vez pelo sentimento nem que fosse da paixão.
O coração batia forte no peito na longa espera.
Mas se negava a olhar para alguém com outras intenções.
Tinha receio.
Receio da ansiedade causada quando se conhece alguém.
Receio da saudade sentida nas horas distantes.
Isolou-se no seu mundo tão singelo de sentimento.
Ia de casa para o serviço e vice-versa.
Tão cedo para tal decisão, pois tem apenas vinte e três anos, embora tivera três devastadores parceiros, o primeiro a traiu com o melhor amigo, era bi; o segundo vivia um casamento feliz e simplesmente a usava; o terceiro não valia nada, mulherengo, traidor.
Hoje sabe que é difícil olhar um homem com os olhos do coração.
Tantas vezes ouviu que a amava tanto.
Foram tantos gestos falsos de carinhos.
Hoje resta a amarga recordação.
Pudera, esquecer tantas coisas que um dia lhe falaram e hoje talvez nem se lembrem mais.
Vive uma alegria triste.
Mora com a família, pais e dois irmãos quase da mesma idade. Pele bege, corpo bem distribuído, cabelos bem tratados, os traços da sua face são perfeitos, tantos rapazes a olham com desejo, mas pra ela tudo é calmaria.
Sabe que o amor é tipo o outono que as folhas caem no final de tudo.
Tudo perde a cor, dias nublados.
Enfim prefere a solidão.
E as estações vão passando…
Seu coração vai se acalmando e se conformando com sua escolha.

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