Vitrines Da Vida

Não foi o que pensei

Há meses conversavam sobre tantas coisas, suas coisas em comum.
Conheceram-se numa rede social.
Tornaram bons amigos.
Logo por carência estavam envolvidos na neblina da paixão.
Paixão virtual.
Ambos até tinham seus companheiros reais, porém aquele encontro ilusório fazia-os tão bem.
Perderam os limites e ousaram se exibindo na webcam e isso, despertou um desejo incontido de fazer tudo aquilo se tornar realidade.
E o tempo foi passando.
Sempre estavam ali embriagados de curiosidades.
Enfim marcaram um encontro.
Sentiram toda a nostalgia de se encontrar com alguém pela primeira vez.
Ela atreveu-se no visual. Com um vestido acima dos joelhos, maquilagem bem feita, perfume marcante. O “óculos escuros” de aro branco combinou com sua pele bem clara.
Para não quebrar a magia, atrasou-se dez minutos, propositalmente.
Ele surgiu na sua frente, destruindo toda poesia virtual.
Não tinha nada que a atraia.
Definitivamente não era o seu tipo.
Desprovido de beleza, embora educado e cordial, fora a maior decepção para ela.
Mesmo assim, tomaram um drinque juntos, conversaram sobre algumas coisas.
Em pouco tempo tudo terminou.
Ela voltou para casa com imenso desapontamento…
“Não é o que pensei” – concluiu decepcionada.
Este é o risco deste tipo de relação. Fotografia, imagem engana muito. Pode-se usar até uma mais antiga ou quem sabe o foto shop resolve as imperfeições.
Decidiu deliberadamente não se iludir mais nesse tipo de rede social.
Apagou-se de todas.
Decidiu viver a realidade como no passado não muito distante.
Não se considera alguém que coloca a beleza em primeiro lugar, mas sabe que beleza é essencial, o agente causador do olhar que gera os sentimentos, de desejo a amor.

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