Vitrines Da Vida

Na rua da solidão

Estava desesperada de amor.
Nunca o teve, mas o amava intensamente. Pensava nele nos dias e nas noites de todas as estações.
No calor…
No frio…
Naquela tarde de chuva caminhava sem rumo. Dias destes que não se tem anda para fazer.
Fixou o olhar num cartaz.
“Trago a pessoa amada em cinco dias. Pagamento somente após o resultado.”
Permaneceu ali alguns minutos. Em seus pensamentos um tufão de esperança. No celular anotou o número e seguiu seu caminho.
Entrou no shopping. Caminhou para uma área mais tranquila. Discou o número. Marcou um horário.
Saiu dali em pouco tempo.
Pegou um táxi, informou com receio o endereço.
“Quero ficar um esquina antes desse número” – quis ser discreta. Pensou – “imagine alguém saber que estou fazendo macumba.”.
A espera foi demorada. Um fila – maior que a dos bancos no quinto dia útil.
“Quantas pessoas em busca do seu amor” – pensou, agora fingindo ler o jornal do dia que trouxera.
A consulta foi rápida. Menos de quinze minutos.
Ela deixou o nome completo do amado, data de nascimento e nome da atual parceira dele.
“Em cinco dias ele te procurará” – disse a vidente firmemente com um olhar enigmático e um sorriso dissimulado. – “Se não voltar para me pagar, ele partirá e você nunca mais será feliz no amor. Acabará sozinha na rua da solidão. Na rua da amargura.” – ameaçou como sempre fizera e completou – Você pagará agora somente a consulta no valor de cinquenta reais. Quando seu amado vier, você me paga o trabalho.
Saiu dali suprida de esperança e com o coração mais lubridiado de paixão.
Insana paixão.
Demente desejo de ter nem que seja um noite de prazer com o homem que invadia sem permissão seus pensamentos, seus sentimentos.
Impensável decisão.
Longa espera.
Parecia séculos.
Um dia…
Dois dias…
Três dias…
Quatro dias…
Enfim o esperado quinto dia.
Acordou animada. Demorou mais no banho. Olhou-se mais no espelho.
O melhor vestido.
O mais sedutor perfume.
Uma preciosa joia.
A espera…
Espera que estendeu até o final de sua vida.
Um amor jamais concretizado.

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