Vitrines Da Vida

Liberdade roubada

Com tudo se atormentava.
E nunca se preocupou com a saúde. Bebia demais, fumava em exagero, comia o que devia e o que não podia.
E os anos foram passando.
Após, 4.0 tudo se copilou em um AVC.
Acordou cedo como sempre e foi preparar o café, quando pegou o caneco, caiu no chão, ainda consciente percebeu o lado esquerdo morto.
Tentou chamar alguém, mas a língua não permitiu, pois estava embolada.
Em poucos minutos já não sentia mais nada do pescoço pra baixo.
Parecia ter e ser somente aquela cabeça.
Seria um sonho.
Ouvia vozes, e homens de branco e verde andando de um lado para outro.
Alguém forçou sua boca e a abriu e enfiou em sua garganta algum comprimido.
Colocaram-na em coma induzido, a fim de controlar seu corpo.
E o tempo passou…
Um mês,
Um ano…
Ela continuava inerte olhando para o nada.
Queria morrer, seria mais ideal do que depender dos outros para tudo.
A rotina começava cedo – por estranhos.
Davam-lhe banho e o dia seguia entre alimentação, medicamentos, troca de fraldas.
Queria expressar como desejava e precisava morrer.
Quisera ter o direito de morrer com dignidade.
E o tempo se tornou seu maior inimigo… e fazia ficar mais distante sua imagem saudável. Fitando-o com atenção nem parecia estar diante da mesma pessoa de alguns anos.
E sua forma de morte passou a possuir seu pensamento dia e noite, mas não tinha nenhum movimento, sequer poderia se livrar do corpo morto.
A morte seria seu alívio.
A morte seria o passaporte para sua liberdade, liberdade roubada.

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