Vitrines Da Vida

Incômoda Mania

Rita é uma mulher atraente e sedutora. Dessas bem atualizadas. Avulsa, cuidava da sua própria vida sem preocupar-se com os outros. Era tão moderna que entrou na onda apenas do “ficar”. Nas noitadas que se estendiam até a antemanhã, conhecia homens convenientes. O préstito de um deles ou mais para conquistá-la seguia o mesmo ritual.
Tem horas?
Está sozinha?
Aceita tomar algo?
A seguir o beijo… abraços…
Carinhos e carícias…
Roupas pelo chão. Às vezes a cama e, às vezes somente levava no celular o número da sua diversão.
Em algumas ocasiões suas amigas a questionava sem rodeio.
Rita se esquivava do assunto. Afinal se sentia bem em usar e ser usada.
Não se via casada, tendo que acordar todos os dias ao lado de um ex-desconhecido. Só de imaginar o sufoco era uma sensação presente.
E as suas noites dos finais de semanas eram de puras fantasias.
Tantas bocas diferentes.
Vários perfumes marcantes.
Cada tom de voz…
Cada história…
Cada nome…
Em cada pele uma percepção desigual.
Com cada um que se deitava, sentia uma consumação distinta e isso fazia-lhe tão bem.
Rita não via nada de irregular em sua mania… quem não tem alguma mania?
São tantas…
Roer unhas,
Fazer compras,
Falar ao telefone,
Passar horas em frente ao computador,
Ouvir músicas,
Falar demais.
É melhor parar por aqui!
E que atire a primeira pedra que não tem uma mania.

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