Vitrines Da Vida

Hora de usar a ousadia

Ambos corriam sob a chuva forte que começou inesperadamente. Enfim, encontraram guarida embaixo de uma marquise. Gláucia respirava densamente, sequela da corrida.
Sem perceber era observada pelo jovem ao lado. Somente sentia um perfume agradável de aspirar.
_ Tem horas? – aquela voz marcante toou em meio aos ruídos da chuva.
_ Tenho sim, no celular – começou a remexer a bolsa para encontrá-lo, essa era seu hábito todo o tempo, perdia sempre o aparelho de celular.
Plantados ali por mais de uma hora, conversavam sobre tantas coisas.
Trabalho, gostos, famílias, amigos e amores.
Há tempos ambos simplesmente viviam aventuras.
Gabriel consecutivamente curtia uma balada, embora não fosse muito do seu gosto, mas ficar sozinho causava-lhe um fastio colossal.
E patenteado de notável beleza, as moças assediava-o sem compostura.
Muitas vezes cedia e aliviava o tesão com pretendente da noite.
A chuva passou…
Despediram-se com uma fisgada no peito.
Chegara o momento de usar a ousadia, um dos dois haveria de ter essa coragem. E foi ele:
_ Me passa seu número… quem sabe podemos marcar para um novo bate papo.
Ele anotou-o e repetiu a fim de certificar que anotara corretamente, pois o seu celular estava com a bateria descarregada.
_ Sem celular as pessoas ficam perdidas – disse descontraído – nele anotam tudo, então quando o perdem ou acaba a bateria, ficam-se sem armas numa guerra.
A vontade de um abraço foi contida.
A vontade de sentir o gosto daquela boca tracejada foi debelada.
Ambição dele…
Ambição dela…
Dormiram imaginado tantas coisas.
Gláucia podia sentir aquele definido perfume.
Gabriel preservara na mente cada gesto, cada minúcia da face daquela mulher.
No dia seguinte…
Um jantar…
E naturalmente os gestos famélicos dos recentes namorados.
Encontravam-se uma noite após a outra.
As reservas foram aos deixadas de lado.
Nos lençóis tenros…
Beijos e abraços…
O encontro dos corpos incinerando com extraordinário desejo.
Agora, após dois anos caminham na praça sob a chuva fina, de mãos dados, com olhares apaixonados, entre as flores da primavera e o vento frio.

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