Vitrines Da Vida

Estação solidão

Existem vários amores e várias formas de amar. A ciência de ser amado por alguém, somente, pode ser entendida mediante a uma sintonia e sensibilidade incomensuráveis. Às vezes um olhar, um gesto, um toque, sem querer, podem ser o penhor deste amor. Certo encontro deu a Clara a certeza que nunca estivera errada ao amar aquele homem. Anos de amor guardado. Tolerou a vontade de se declarar em tantos momentos.
Naquele dia se encontraram.
Durante o percurso, falaram sobre diferentes coisas… dele e dela.
Andaram pelo shopping, apreciando as vitrines. Entraram numa livraria e folhearam alguns livros. A seguir, sentaram-se num quiosque.
Ele tomou um suco de abacaxi, Clara preferiu uma coca.
Ocasião plenamente romanesca.
Olhando-se de outro foco, notava-se um casal apaixonado.
“Como eu te amo” – refletia ela. E o amava com os olhos.
… – pensava ele.
Após mais de duas horas, levou-a para casa.
_ Ter amigos hoje em dia é difícil – comentava ele, atento ao trânsito.
_ Sim… – aquiesceu Clara e avigorou, – é muito, muito difícil.
Falaram de amor e tudo se iluminou, tipo o sol repentino depois de uma forte tempestade.
Mas trem do destino os deixou, há muito tempo atrás, em estações diferentes.
Clara desceu e parou na estação solidão.
Decidiu viver sozinha.
“A solidão tem gosto de fel. Amarga a alma. Espeta o coração.” – afirma Clara.
“ Quem sabe amanhã poderei encontrar um novo amor…” – comenta de modo impassível, pois essa é sua convicção. Na realidade não quer outro amor, senão já havia encontrado.
Sente por ele um amor tão aturado que parece supri-la da precisão de ser amada por quem quer que seja.
Seu destino com este homem é um jogo marcado… um jogo que deve ser vencido no momento exato. Quando? O tempo dirá. Tem conhecimento que ele vive com outra que não o entende, nem o completa.  Não o ama com a mesma intensidade. Clara o ama tanto que ele sabe que quando quiser se entregar, basta chegar, nem precisa avisar. Está pronta para recebê-lo hoje, amanhã ou depois de amanhã.
E, quando esse dia chegar, será uma mulher completa, se entregará com o mesmo amor que nasceu no primeiro dia em que o viu.
Nada mudou… até a saudade é mesma – as lembranças das coisas que o tempo esqueceu, e atuais situações que ela vive e não dizem nada do que sente, simplesmente fazem recordar a cada respirar do seu único amor.
Continua parada na mesma estação…

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