Vitrines Da Vida

Emoção não domada

Das lembranças que trazia na vida, as vividas ao seu lado eram as melhores. A saudade melhor de sentir. Laqueava os olhos e rememorava cada minuto.
Mas desde que a deixara o vento soprava mais violento.
“Talvez seus olhos sejam a estrelas do céu…”
Fora seu querido, sua vida. Culpa-se por amar tanto, sem medo, sem ressalvas.
E as noites belas tornaram-se sem significado e vácuas.
Nos olhos e na alma uma lágrima há…
Pena que nem tudo é da maneira que a gente quer, talvez se fosse perderiam o valor.
Sonha encontrar alguém que entenda sua desilusão.
Enquanto isso não acontece vai vivendo simplesmente por viver.
Sempre fora romântica.
Sempre fora bela.
Com menos de trinta anos pode se considerar uma mulher bem incidida. Seu depravo é fazer compras, principalmente, sapatos, bolsas e perfumes. Elegante e sucinta em suas palavras, logo cativa às pessoas.
Acredita que o amor está acima da razão e do passar do tempo.
Vivera na sua vida o primeiro amor, que casou-se e constituiu uma bonita família. Às vezes conversam pelo celular, coisa rara, mas uma ou duas vezes ao ano acontece.
“Te amei… te perdi porque sei que pra nós dois não tem mais jeito” – é sua triste convicção.
Quantas vezes, em silêncio, sofre…
Uma emoção não domada…
Numa canção de versos tristes  e diz tudo que sente… que sofre!
Nas doses de uísque que suavizam a solidão.
Nos beijos e abraços que não tem o gosto que precisa sentir. Ah, inesquecível e improvável gosto!
Nos corpos frios que se encontram somente entre o fervor do desejo sexual, nada além, nada mais.
No dia seguinte, tenta se acertar com seu coração.
Concluiu – “sem você é triste meu viver. Meu coração clama sua presença”.
Porém passam-se os dias…
Um dia após o outro e a distância majora cada vez mais.
“Meu coração nunca vai te esquecer”.
Lívia vive a procurar uma receita para anular seu primeiro amor. Deslembrar aquelas mãos mágicas que a fez viajar por lugares tão difíceis de esquecer. O beijo saboroso – um paladar impossível de ser saboreado em outras bocas. O corpo tão tenro, o encontro perfeito das peles… dela, dele!
“Você foi o meu maior sonho, o abraço que jamais esqueci” – lamenta… lamenta… lamenta e vai tentando reparar o erro, se é que amar é um erro.
Três meses de sonho, somente três míseros meses, quanto amor contido, quanto medo sentido!
“ Amo-o, por sua sinceridade o tempo todo. Por ser tudo que eu queria desta vida. Foi meu maior plano, meu maior engano. A saudade que sinto, no meu peito, é a maneira de senti-lo perto, em cada manhã quando acordo e penso em você.”
A primeira noite de amor…
Confusa ia pouco a pouco deixando as roupas distribuídas pelo chão. Desvendou naquele corpo o melhor da vida.
Palavras de amor…
Apenas pede-o em pensamento – não se esqueça de mim…

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