Vitrines Da Vida

Em setembro

Bateu uma saudade dele.
Acordou pensando nele, sem mais nem menos.
Ao olhar no calendário deparou-se com o mês de setembro.
E em setembro a paixão sempre bate à porta do seu coração trazendo-a tantas lembranças.
Conheceram-se na última semana deste mês.
Foi amor à primeira vista.
Amor não concretizado.
Muitas vezes quase acabaram nos braços um do outro, mas sabiam bem suas condições e a causa de evitar tal acontecimento.
Sempre entenderam a razão da fuga.
E o tempo passou…
Mas as estações não mudaram os seus sentimentos – principalmente o dela.
Vive na saudade.
Em alguns momentos até o esquece, segue sua vida normal, sem novidades.
Acorda todos os dias como se fosse uma estranha.
Toma agradável e demorado banho.
Escuta suas canções preferidas.
Dirige no trânsito caótico pacientemente.
Chega ao trabalho, indiferente, no seu mundo.
Ninguém percebe seu vazio.
Sabe o disfarçar muito bem.
Quantas vezes, inesperadamente, o encontrou. Almoçaram juntos. Falaram sobre seus planos – em outras direções.
No peito falta o ar.
Quando próximos percebe-se o sentimento de ambos.
Sentimentos foragidos.
Na despedida tentam sorrir.
E cada um segue seu rumo.
Ela carregava a sabedoria que precisava abortá-lo; tirá-lo das entranhas. Tinha a esperança de um dia, assim sem mais nem menos não sentir mais saudades de quem lhe tira o sossego principalmente em setembro.

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