Vitrines Da Vida

É hora da despedida

Vive há muito tempo um amor desses que não passa de jeito nenhum. Amor que não acaba. Amor que lhe faz sofrer nas madrugadas quentes do final de inverno, seu coração bate de saudade, bate descompassado, bate em busca de notícias dele.
Segue na saudade, na tristeza dos dias iguais em que faz as coisas somente por fazer.
Apesar do sofrimento decidiu não mais voltar a procurá-lo, afinal ele é o culpado, ele que não quis o seu amor, seu sentimento, fugiu covardemente para os braços alheios. Fê-la refém da solidão.
Ela não teve direito a sua consideração.
Por esse motivo respira com dificuldade, respira a solidão.
Sente o latejar no peito.
A dor de não ser amada.
E essa dor dói demais, dói em cada amanhecer, dói a cada lembrança, em cada desejo perdido no tempo.
De fato é impossível ser amigo de quem se ama. Definitivamente não dá, não vale a pena, é sofrer sem motivos, é sacrifício inútil.
Quem já amou verdadeiramente, sabe o que ela sente.
Sabe da saudade.
Sabe das lágrimas.
Sabe do lamento, do tormento, do querer não concretizado.
Sabe e tem que fingir não saber, assim pesa menos.
Hoje, no entanto se entregou a nostalgia das recordações, o primeiro momento que o fitou, recorda cada detalhe, cada olhar, o primeiro toque das mãos, seu coração perdeu o juízo, perdeu o rumo – descompassou.
Por meses tentou lhe chamar atenção, em vão ele simulava não saber do seu amor, disfarçava com primor, a tratava com tanto carinho e atenção, até parecia que sentia amor também, mas não foi nada disso. Não sentia nada.
Quando ela percebeu que seu peito ia explodir, pois já não aguentava mais segurar seus sentimentos, lhe contou tudo, se declarou sem reservas.
Agora, depois de tanto tempo, tantos anos, sente no peito o mesmo sentimento.
O mesmo amor do começo.
O mesmo amor nunca vivido…
O mesmo amor jamais correspondido.
Como se sente idiota, como pôde perder tanto tempo amando alguém que não mereceu seu amor, enquanto isso não olhou ao redor, não percebera que perdera tantos homens que dariam tudo para fazê-la feliz. Tantos que lhe amaram sem ela perceber, pois estava perdida na neblina do seu mundo. Não se permitiu ser amada, não se permitiu ser tocada no coração, vendou seus olhos.
E no escuro não se enxerga nada, você tropeça nos próprios passos, cai num abismo sem fim.
Como é penoso aceitar a realidade.
Como machuca chegar à conclusão que é hora de seguir em frente, abrir o coração e amar novamente.
Ela chegou a essa conclusão.
É hora da despedida.

 

 

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