Vitrines Da Vida

Do outro lado do oceano

“Não consigo mais encobrir o que sinto. A dor da saudade. A falta de seu abraço. Tudo somente porque eu te amo! Eu te amo muito… muito… muito. E esse amor me faz ser tão inativa”.
Recordava a despedida. Com lágrimas na alma. Queria tanto que ele corresse em sua direção e a pedisse para ficar.
Nada disso ocorreu.
Excedeu o portão de embarque.
Ainda teve ânimo de olhar para trás. Como se robusteceu para não disparar a correr rumo à volta.
O voo ainda atrasou alguns minutos, coisas do destino – minutos que mais pareciam séculos.
Soube naquele instante – a vida é assim…
Soube naquele instante – nem lágrimas poderiam abrandar a dor sentida.
Aflição do amor.
Agonia da perda.
Amargura de não poder mais dizer – eu… eu te amo.
Agora, unicamente o tempo poderia apagar tudo.
Infelizmente não sabemos o que se passa no âmago dos outros, e não soube – ele também sofria. Amava-a demais. O receio masculino o fez calar-se. Guardou todo sufoco somente para si. Ainda ficou “fazendo hora” no saguão a espera de ela recuar.
Não adiantou, nada adiantou. O silêncio venceu. Assinaram, sem querer, o atestado da solidão.
Eu te amo – dizia ele bem baixinho para ninguém escutar.
E seguiram… a estrada estreita e longa…
Tornaram-se – uma mulher apaixonada; um homem apaixonado.
Aquele adeus enevoou seus dias.
Os sonhos foram destruídos. Restou um vácuo no espaço.
“Eu faria tudo para tê-lo dentro do meu mundo, na minha vida árida.”
Deixe o tempo passar – ouvia como consolo.
“No amor não existe escala de tempo…” – afirmava do outro lado do oceano.
Pois, inertes deixaram o avião decolar…

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