Vitrines Da Vida

Divisão de sentimentos – 1ª parte

Encontrava-o em qualquer canção, na beleza das noites de lua cheia. Em tudo o encontrava.
Ele nem precisava avisar quando vinha. Chegava sem receio. Sabia que dali sairia realizado.
Assim, era o relacionamento de Sandra e Mateus.
Um amor que não passava.
Ultrapassara uma década.
Ele indo e vindo em suas viagens mundo afora.
Pouco a pouco, Sandra tentava ser feliz. Sentia tanta saudade. Imaginava o amado nos braços sabe-se lá de quem.
Sentia-se sozinha… tão sozinha!
Os dias sem ele tornaram difíceis demais.
Enxergava-o em cada olhar…
Em cada sorriso…
Devido a beleza demasiada, Sandra sempre estava sendo cortejada, principalmente por homens mais jovens, aqueles na flor da idade com o desejo vingado de tanta necessidade.
Morava sozinha, sua família residia numa imensa fazenda no interior do estado.
Mudou-se para capital a fim de iniciar logo a faculdade. Foi lá que conheceu Mateus.
A fama de pegador deixou-a fascinada, adorava desafios, e foi despertada por ele no mais profundo sentimento.
Um amor que explodia no universo.
Faziam amor com tanta fervura.
No fim estavam realizados no silêncio da noite fria ou quente.
Depois de formados, Mateus morou mais de um ano com ela, até que recebeu uma proposta de trabalho muito interessante, porém teria que passar vinte e cinco dias fora de casa.
E as viagens iniciaram.
Sandra resistira muito às investidas de um jovem vizinho de dezoito anos. Fisionomia de safado. Braços fortes que deixa qualquer pessoa a fim de encontrar ali o abrigo mais seguro. Corpo perfeito. Um homem bonito e gostoso. Imagine ai um homem assim.
A coisa pegou fogo a meia-noite na escada do andar dela para o dele.
Um beijo forçado.
Sandra tentou vencer o gosto doce que insistia invadir sua boca. Não tinha como resistir.
O cheiro dele deixou-a louca. Um fogo queimava da cabeça aos pés. Sentiu-se úmida! Lubrificou-se naturalmente para suportar a entrada do garoto atrevido.
Ela nunca havia experimentado outros toques, sempre fora de Mateus.
Novidade que a fez enxergar ao redor.
Sendo realizada, ouvia do adolescente:
“Diga pra mim, se ele faz melhor do que eu?… se faz do jeito que fazemos? Se te pergunta como foi seu dia. Se te quer como eu quero?” – e fazia movimentos com a maior perfeição que um homem pode ter.
Ocorreu a divisão de sentimentos.
Vinte e cinco dias irracionais. Sexo realizador.
Cinco dias de amor, carinhos e todo romance existente no mundo dos enamorados.
Tiago, o vizinho nas noites tão vazias de silêncio, envolvia-a de um jeito sem explicação. Fazia-a ser mais do que podia ser… frágil e forte naqueles braços. Rebelde e passiva. Perdida de desejo.
“Você é tudo…” – dizia explodindo num orgasmo extremo.
E assim ia vivendo…
Com Mateus era amada.
Com Tiago era realizada.
Para não se magoar procurou nem tentar entender a situação.
Melhor assim, como tantas coisas na vida.
Minha…
Sua…
Dela…
Nossa…

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