Vitrines Da Vida

Depois de muito tempo

Depois de muito tempo, você.
O coração já não bateu tão feliz como antes, pois o tempo aniquilara o sentimento dentro de seu peito e ela sentia-se mal com isso.
Acostumara-se a amá-lo.
Como não amá-lo mais assim sem mais nem menos, não fizera nada para esquecê-lo, somente seguira sua vida, sozinha.
Sentiu-se traída pelo coração.
Queria ao vê-lo experimentar o latejar no peito.
Queria ao vê-lo sentir vontade de tocá-lo e de dizer “eu te amo, meu amor.”
Mas nada disso foi necessário.
Quanto desconforto não amá-lo.
Falaram sobre suas vidas, seus negócios e seus diferentes rumos.
Fitou-o nos olhos, a pele ainda clara, porém com os primeiro sinais que o tempo passou.
As mesmas mãos.
O mesmo cheiro indolor.
Ah, como queria se sentir, agora nostalgiada por esse encontro.
Muitos anos amando-o.
Muitos anos querendo-o intensamente.
Primaveras e verões.
Outonos e invernos.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos.
Tudo isso serviu somente para deletar seu luto sentimental.
Ele continuava casado com a mesma mulher, isso reforçava a impressão que não fora simplesmente uma mera aventura.
“Ah, como precisei de você” – lamentou em silêncio.
Após uma hora e pouco de conversa se despediram.
Sem gosto de quero mais.
Com uma indiferença peculiar de quem não ama mais.
“E eu que acreditei tanto que do primeiro amor não se esquece” – pensava sozinha no seu quarto vazio.
Crença destruída pelos dias.
Sentimento morto, não correspondido.
Sua única certeza é que tudo passou.

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