Vitrines Da Vida

Demente decisão

Saiu…
Fez compras.
Almoçou no melhor restaurante da cidade. Foi para uma área preservada e lá ficou a apreciar a natureza. Quanta beleza! A natureza é mesmo perfeita – pensou com entusiasmo.
A tarde passou numa cafeteria e degustou pettit four com café machiato. Refletiu – como a vida têm coisas interessantes para fazer.
Mas nada a faria regressar na sua demente decisão.
O vazio era demais para ela.
Rica, bonita, cortejada.
Namorou tantos homens interessantes, apesar da pouca idade – vinte e cinco anos.
Dos pais tinha todo mimo.
Do único irmão tanto carinho.
Das amigas a cobiça por sua companhia.
Porém, nada disso completava-a.
Dias e dias gemendo na solidão das cinzas das horas.
Seu closet abastecido de figurinos dos melhores estilistas do mundo, afinal sempre ia a Nova York e viajava nas vitrinas do 5ª Avenida.
Colecionava perfumes – os aprimores do mundo.
Sua prateleira de sapatos causava inveja em qualquer mulher.
Por fim tinha tudo, tudo, tudo para ser feliz.
Depois do café ainda ousou mais uma volta pelo shopping.
Voltou para casa no começo da noite.
Seu sorriso foi encantador.
Jantou com a pequena e amada família.
Estranharam a inesperada felicidade da moça, no entanto ninguém disse nada, há meses não a viam feliz.
Por volta das vinte e duas horas entrou no banho. Na banheira: ervas relaxante. Alguns minutos de sauna. Menos ainda na hidromassagem.
Maquiou-se por mais de meia-hora.
Vestiu um Chanel.
Borrifou o melhor perfume.
Abriu a gaveta…
Da cartela tirou inúmeras drágeas. Dava para escutar o estalo da embalagem aceleradamente.
Pegou uma garrafa de água Perrier e ingeriu os comprimidos com tranquilidade, segura do que fazia.
Decidida.
Dormiu um sono profundo…
E nunca mais acordou.

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