Vitrines Da Vida

Deficiência financeira

Pessoas muito cativas ao dinheiro acabam sucessivamente levando a pior.
E infelizmente existe tanta gente assim hoje em dia. Alfredo é desse jeito.
Sempre estava arranjando um jeito de levar vantagem em algo, essa atitude o fez oportunista. Vivendo sua sexta década, tem o olhar sofrido e carrega uma alma doente.
Isso tudo reflete na sua saúde defasada.
É triste saber que alguém passou uma vida – vivendo de oportunidades.
Se algo não saia como previa, logo articulava um modo de acionar um advogado – desses também oportunistas – e assim processavam a parte que ele achava ter ferido sua moral.
O lenitivo para isso é uma indenização por danos morais – se é que dano moral se repara financeiramente – coitado, pensa assim! Para ele qualquer valor serve – até menos de cem reais.
O problema de Alfredo é o materialismo, nunca executa nada de coração, finge amor pelo que faz, porém é somente um disfarce para omitir sua ganância.
O resultado é a queda.
Queda da sua autoestima.
A falência de suas pretenciosas realizações. Apenas sonha! Ao acordar…
Sabe-se que ele nem precisa ter essa atitude, mas agir assim o faz bem.
Faz sentir-se indenizado.
E assim, Alfredo vai aumentando a deficiência financeira das pessoas que passam em seu caminho.
Em seu histórico judicial tem uma lista de processados.
Todos lhe pagaram o que pediu, uma maneira de evitar mais chateações – dele e de sua pseudo-advogada.
Alfredo segue fingindo ser feliz.
Todos os dias, caminha pelas ruas estreitas da cidade, passa no banco, no caixa eletrônico faz a operação e admira seu extrato.
Segue sua rotina.
Sozinho,
doente e infeliz.
Apenas sonhando…
Fracassado!
Em outro momento surge Adilson, jovem de trinta e poucos anos, interesseiro, até suas amizades são convenientes quando lhe são úteis, ao contrário ele nem lembra que elas existem.
Sua bela fisionomia esconde uma pessoa com imensa frialdade de sentimentos. Parece um cubo de gelo.
Acredito que por dinheiro Adilson seja capaz de tantas coisas.
Também já processou algumas pessoas por danos morais, tudo somente por oportunismo – nada além… nada mais!
Igualmente a Alfredo segue infeliz, adoecendo a alma a cada:
segundos,
minutos,
horas,
dias,
semanas,
meses,
anos e anos.
Quem sabe “Alfredo e Adilson”, e pessoas como eles levem para o túmulo seus bens materiais.
Só não sabemos se chegando ao inferno, o chefe do mal deixará com que entrem.
Se eu fosse ele não deixaria (risos) já pensou se arrumassem um jeito de processá-lo também?

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