Vitrines Da Vida

Amor vencido

O coração é quem estabelece o amor, quando esse sentimento nos envolve, tornamos reféns de situações que nos deixam tão vulneráveis. E aquele senil questionamento nos regerá por um bom tempo, tempo inimigo, tempo omisso, mas é o tempo que resolve todos os nossos dilemas.
Helena sabia bem disso.
Dez anos sofrendo por amor. Dez anos de rejeição.  Dez anos sem um toque, um carinho, um beijo, um gesto qualquer para suavizar sua dor. Seu amor não retribuído.
Ele sempre soube de tudo, desde o princípio. Soube da sua paixão. Do seu desejo. Do seu amor. Paixão, desejo e amor, mistura perfeita para o êxito emocional.
Ele não entendeu. Fingira não perceber, seria melhor dessa forma, covarde, inexistente. Preferiu-a como uma amiga, no entanto a cada encontro casual, simplesmente a feria mais com sua indiferença.
Certa noite, após quase cinco anos surgira a esperança de tê-lo, ele havia saído de um relacionamento, logo a procurou para se lamentar.
Encontraram-se num bistrô aconchegante.
Tomaram alguns drinques. Degustaram petiscos nobres. Cantaram no videokê. Pediram algumas músicas ao artista da noite. Falaram sobre suas vidas.
Por baixo da mesa, ela ousou e lhe acariciou a perna. Foi restituída com um olhar afetuoso. O olhar que esperou durante tanto tempo, que cobiçou desde que o conhecera.
Todavia fora somente isso que ocorreu.
Ele bebeu demais, lamentou demais, seduziu demais com o olhar, iludiu-a insanamente, no final quase sem conseguir dirigir a deixou em casa e foi embora depressa.
Helena sentiu-se decepcionada, frustrada, desiludida. Com raiva de si mesma. Com dor na alma, mesmo assim ligou e falou por tantos minutos do seu sentimento, ele atendeu, mas de tão bêbado, dormiu em menos de um minuto.
__ Oi, fala algo, eu te amo. Sempre te amei. Sempre te amarei – palavras ao vento, ninguém a escutava.
Na semana seguinte se despediu dele.
Chegara a hora de seguir, ninguém sabe certo o tempo que dura um amor, no entanto o dela estava com o prazo de validade vencido. Não poderia, não queria, não se permitiria continuar amando aquele ser.
Não restava mais nada além do vazio, da solidão, da tristeza, dos dias tristes.
Amor vencido, sofrido… quantas horas perdidas.
Hoje, ainda vive na solidão, quase não tem contato com ele, mas vira e mexe se depara com as poucas lembranças de sua companhia, ainda que somente como amiga.
Ainda sente seu cheiro.
Ainda o tem nitidamente na memória.
Sua pele alva, seu olhar debochado, seu interessante corpo, suas mãos, seus pés, apesar de nunca ter lhe tido, conhece cada detalhe daquele corpo.
Ah, como queria ter sido feliz ao seu lado.
Ah, como se sente incompleta por essa anulação sentimental, por essas e outras às vezes o odeia. Às vezes o ama na imaginação.  Ao escutar uma canção. Ao se deparar com alguém de mínima semelhança com ele. Ao passar por onde esteve ao seu lado, almoçando, jantando, escutando seus desabafos.
Agora, no seu quarto, na sua cama, no silêncio da noite fria, abraçada ao esposo ainda pensa nele, mesmo sem querer.
 
 
 
 
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