Vitrines Da Vida

Amargo adeus

Madelaine sempre fora uma pessoa  determinada em suas ações. Dona de uma invejável inteligência percebida ainda na sua infância. Na época da faculdade conheceu Rick. O jovem casal de namorados se apaixonaram simultaneamente, tinham somente vinte anos na ocasião. Viviam grudados um outro. Ela ainda pura e Rick como todos os jovens de sua idade já havia tido algumas experiencias sexuais, com garotas descartáveis que nada significavam e serviam simplesmente para sexo e nada mais. O ato acontecia secamente, movido somente pelo anseio de gozar logo. Depois de  tudo ele se lavava  e se esfregava tanto com intensão de sentir-se limpo. No começo do namoro, muitas vezes ao sair da casa de Madelaine, ele se arriscava nessas aventuras descartáveis.
A  família da moça tinha por ele imensa consideração, e foi esse um dos motivos de incentivar o matrimonio. Madelaine o amava demais e  a cada dia sentia esse amor aumentava lhe causando na ausência dele, uma saudade desmedida.
O tempo passou…
Ficaram noivos…
Tinham noites de amor satisfatórias e intensas. Rick tinha um desejo tão forte que a amava durante a noite toda. Pela manhã estavam exaustos e satisfeitos.
O tempo passou…
Casaram-se no ano seguinte.
A lua de mel acontecera como qualquer momento que viveram antes, durante as noites satisfatórias e intensas.
Recebiam nos finais de semana as famílias e os amigos em comum.
Sueli era a melhor amiga de Madelaine. Se conheceram no colegial e de lá para cá sempre confidenciavam seus segredos.
Sueli escutava arrepiada de prazer a amiga narrar suas noites de amor.
Ele é demais… o corpo perfeito, bem sarado! E me faz ter  orgasmos explosivos… ah! É muito bem dotado.
Sueli ficava com água na boca. E sempre ligava ou se encontrava com a amiga na intenção de escutar aquelas gostosas histórias eróticas.
Quando percebeu estava apaixonada…
Frequentava a casa do casal e muitas vezes sem querer não conseguia disfarçar o olhar para Rick, que estava a vontade sem camisa, deixando a mostra o belo tórax e abdome. Trajava uma bermuda de tecido fino, e Sueli contemplava o seu volume e suas pernas atraente com pouco pelo. Contemplava seus pés de pele alva e unhas bem desenhadas.
Certo domingo, ela decidiu visitar o casal sem avisar. Tocou a campainha várias vezes. Rick acabara de acordar e foi ainda sonolento abrir a porta. Sem graça deparou-se com ela. O rosto ainda amassado, a ereção natural de toda manhã.
De impulso convidou-a para entrar.
_ Fique a vontade, Mad foi a padaria, já deve está quase voltando.
Naquele instante Sueli perdeu a razão, aproximou-se e tocou-lhe o tórax, deslizando as mãos até sua barriga e descendo até sua virilha. Rick ficou intacto. Sentiu aqueles lábios desconhecidos. E movido pelo desejo, empurrou-a rumo a mesa de madeira que se sempre degustavam as refeições. Ali mesmo, ofegantemente, a penetrou com pressa  e ferocidade. Os gemidos deixavam claro quanto prazeroso era sentido naquele instante por ambos.
Da porta, Madelaine assistia a cena. Dos seus olhos escorriam lágrimas de dor.
Sem que os aventureiros percebessem, ela encaminhou-se ao quarto. Abriu devagar a gaveta do criado. Pegou a arma de Rick, pois ele era policial.
Rick e Sueli continuavam a transa providos de desejos. Ouviram um estrondo e sentiram em seguida, algo atravessando suas cabeças.
Morreram na posição que praticavam o ato.
Madelaine permaneceu parada com a arma na mão. Escutou as sirenes. Escutou os policiais dizendo – larga a arma, mas manteve-se imóvel, como se sua alma tivesse saído do corpo.
Foi algemada. Não reagiu a nada. Não disse sequer uma palavra.
Nunca mais foi capaz de proferir uma palavra. Ficava sempre com o olhar perdido no nada. Foi internada numa clínica  para tratamento mental.
E ali viveu até o fim da sua vida, que ocorreu cinquenta anos depois, no ano em que completaria setenta e cinco anos.
Viveu cinquenta anos em silêncio, apenas recordando aquele amargo adeus.

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